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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010, 03h:21

NATACHA WOGEL

Sob o sol caribenho

Um dos povos mais alegres com que já tive a oportunidade de conviver na vida, imaginem, não são os brasileiros, mas os dominicanos. Lá no meio do Caribe, em uma ilha divida por apenas dois países – Haiti e República Dominicana – passei momentos muito agradáveis, com uma gente que, apesar das infinitas dificuldades, não perde a oportunidade de colocar um sorriso no rosto, entoar um merengue e se divertir. O berço das Américas, enfim, - foi lá que Cristóvão Colombo primeiro aportou - é um local de vida intensa, sob um sol abençoado. Guardadas as proporções, a vida do haitiano não diferia muito da do dominicano. A origem é a mesma: africana. A língua é diferente, por uma questão de domínio: haitianos falam francês e crioulo, enquanto que dominicanos, espanhol. A economia basicamente advém da mesma atividade: cultura de cana-de-açúcar. E a alegria em receber o estrangeiro, o calor e a humildade ao recepcionar quem quer que seja, acredito, são inerentes à população das duas nações. O azar, porém, é mais presente no Haiti, se é que podemos designar apenas à má sorte a responsabilidade pelo acontecimento que soterrou, literalmente, o país. Uma nação já tão castigada pelos conflitos políticos internos desde seu descobrimento, diga-se de passagem, tão humilhada diante dos demais povos, pois é considerada a mais miserável das Américas, não poderia ao menos ter contado com o que o cosmos selecionou de melhor ao ser humano para 2010? Miséria pouca é bobagem. Cabe ao mundo, portanto, se virar para as gigantescas necessidades impostas aos haitianos e, numa ação humanitária jamais vista, ajudar aos paupérrimos irmãos – sobretudo dos brasileiros, quando comparadas as histórias – a se reerguer. E alegria não pode faltar. Nem mesmo diante dos quadros desoladores que irão encontrar aqueles que decidirem ir para lá colocar a mão na massa, como alguns profissionais da área de saúde de Mato Grosso já se dispuseram a fazer. O sol do Caribe, tão brilhante, precisa do bom humor e da fé de todos os humanitários que partem e partirão para o Haiti. Fora do país, a corrente precisa ser ainda maior, com ainda mais fé e bom humor para reunir a vizinhança, a família, os colegas de trabalho, quem quer que seja que possa doar um pouco de seus bens, pertences e despojos aos certamente mais necessitados do mundo atualmente. Vamos buscar os caminhos. NATACHA WOGEL, editora de Cidades do Diário

Edição EDIÇÃO 16960




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