ARTIGO
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 21h:10
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PAULO HAYASHI JR.
Sinceridade para o progresso do homem
Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! Aí está o critério para saber que somos da verdade; e que com isso sossegaremos na presença dele o nosso coração (1 João 3, 18-9). Muitas pessoas apresentam fartas providencias do verbo bem lapidado e de frases dispostas como diamantes em anéis de gala. Todavia, quanto de sinceridade sólida e bem estimada existe nela? Quanto de conteúdo realmente verdadeiro existe por trás de cada ato? O indivíduo que mente para os outros jamais conseguirá mentir para si mesmo e para a sua consciência, pois esta é juíza imparcial e justa de nossas ações, pensamentos e vontade. É a nossa promotora íntima. Dela nada podemos esconder, nem distorcer. Não somos senhores de nossa consciência, pelo contrário, ela que é de nós. Infelizmente a falta de sinceridade é um dos grandes males do Homem que valoriza mais sua persona, sua máscara social, sua pose perante a sociedade do que a melhoria íntima do seu ser. Ou seja, ainda estamos vivendo como há mais de dois mil anos onde os filósofos combatiam os sofistas por valorizarem, não a verdade em si, mas o discurso fácil e ensaboado que ilude ao invés de limpar as imperfeições. Tudo isso para mostrar e valorizar uma aparência que não tem lastro no real. De que vale a aparência se a essência não suporta tal imagem? Certamente é uma ilusão que engana, principalmente aqueles que a praticam, uma vez que nada mais cego do que iludir-se a si mesmo. Como dizer eu te amo se não sabe amar? Como pintar uma impressão colorida com palavras de dicionário, mas desprovidas de sentimento e de vivência? Precisamos aprender a ser mais sinceros não apenas com os outros, mas principalmente com nós mesmo. Não precisamos de mais uma sociedade parnasiana. Precisamos sim aprender a não nos trair caindo nas tentações do ego, do orgulho e da vaidade, pois estas certamente preferem uma ilusão bem meia boca, do que uma crítica construtiva que realmente faça a pessoa crescer. Quem tiver um amigo verdadeiro que saiba escutar com os ouvidos e com o coração aberto, pois eles, hoje, são peças raras. Devemos cultivar a amizade sincera para podermos nos beneficiar não apenas de seu amparo, mas para que possamos treinar a nossa sinceridade. Desde a época das luzes de Pitágoras se iniciava o rebento nas práticas da sinceridade, pois apenas ela, praticada como diálogo íntimo poderia levar o Homem à condição de um espírito superior. Apenas a sinceridade envolveria o Homem na pureza de seu coração, mente e consciência. Bem-aventurados os que buscam a verdade a respeito de si próprio, pois deles serão a sinceridade e o reino da terra e dos Céus. * PAULO HAYASHI JR., doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)