ARLINDO TEIXEIRA Jr.
Depois dos governos Júlio Campos (1983/86), e Carlos Bezerra (1987/90), que construíram cerca de 50 mil casas populares no Estado, sendo os maiores investimentos em conjuntos habitacionais de Cuiabá e Várzea Grande, Mato Grosso passou uma das mais graves crises sociais de sua história, nesse direito universal da moradia, um dilema que se arrastou por mais de dez anos. O problema se agravou, nesse período, devido ao crescimento populacional acentuado, o que gerou a coabitação, com a existência de mais de uma família sob o mesmo teto, num agrupamento de pais, avós, filhos, genros, sogras, netos, bisnetos... O governo brasileiro anunciou, durante o Fórum Urbano Mundial, no Rio de Janeiro, no início desse ano, que o déficit habitacional no País havia reduzido de 6,3 milhões, em 2007, para 5,8 milhões de domicílios em 2008. Em Mato Grosso, o atual governo, iniciado por Blairo Maggi (PR), em 2003, e agora sob o comando de Silval Barbosa (PMDB), deve fechar 2010 com 80 mil casas populares entregues à população. Serão aproximadamente 12 mil residências apenas em Cuiabá, realizando o sonho de pessoas que, por muitos anos, viveram ao descaso do poder público. O sucessor de Maggi, governador Silval Barbosa, candidato à reeleição, em encontro realizado recentemente em Cuiabá, lançou o desafio e assumiu o compromisso de construir 60 mil moradias nos próximos quatro anos. Um programa revolucionário, sem dúvida, que complementará, caso Silval Barbosa seja reeleito, o trabalho iniciado há mais de 20 anos por Júlio Campos e Carlos Bezerra, e retomado no governo Maggi. Ao anunciar o seu programa habitacional, Silval Barbosa disparou contra o PSDB. Ele lembrou que durante a gestão de oito anos do governo dos tucanos foram construídas apenas 300 casas populares no Estado. Isso mesmo: trezentas, em todo o Estado! Silval bem que poderia ter lembrado, ainda, que dessas 300 casas no governo do PSDB, em oito anos, pelo menos a metade ? de madeira ?, foi construída em parceria com o então prefeito de Cuiabá José Meirelles. E é esse governo do PSDB que traz hoje os discursos de Wilson Santos e Antero Paes de Barros. Aliás, esse descaso com política habitacional se transformou numa marca dos governos do PSDB em Mato Grosso, iniciado no governo Dante de Oliveira, quando, simplesmente, decidiram fechar a Companhia de Habitação (Cohab). E antes do PSDB, não há como deixar de lamentar, também, a atuação ridícula do governo Jaime Campos (DEM), diante de tamanha carência que já vivia o setor. Nessa questão da moradia popular, o Distrito federal passou por uma revolução durante os governos de Joaquim Roriz. Brasília era infestada de favelas. Roriz enfrentou o desafio. Não construiu casas, mas fundou vários bairros nos arredores das cidades-satélites e distribuiu lotes dotados de toda a infraestrutura. Os barracos sumiram da paisagem da cidade e aos poucos aquelas famílias foram construindo suas casas de alvenaria dignas de trabalhadores. Caso Silval Barbosa se reeleja governador, poderá, inclusive, ampliar o seu programa habitacional, não só entregando casas prontas, mas também distribuindo lotes para as famílias que tenham condições de construir, dentro de padrões e plantas definidos pelo governo e com material de construção que pode ser financiado pela Caixa Econômica Federal. É isso aí. O povo de Mato Grosso já elegeu governantes compromissados com a questão social, assim como também, em outras ocasiões, viu o seu voto afundar no poço da embromação. Reeleito, o governador Silval Barbosa terá essa grande missão, uma missão histórica, de não deixar que o sonho da casa própria, para milhares de mato-grossenses, seja mais uma vez despedaçado. * ARLINDO TEIXEIRA Jr., mato-grossense de Vila Nova, (Guiratinga), é jornalista em Brasília
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