ARTIGO
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011, 19h:09
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TÂNIA NARA MELO
Sem armas, sem violência
Mais de 22 mil armas de fogo fora de circulação. Este é o número divulgado pelo Ministério da Justiça sobre o balanço da Campanha Nacional do Desarmamento que está em vigor desde o mês de maio. Com o slogan Tire uma arma do futuro do Brasil, a campanha agora está em uma nova etapa e já é possível ver as peças publicitárias veiculadas não apenas na TV, mas também no rádio, internet, em cartazes e outdoors. A ideia, segundo o governo, é ampliar o diálogo com a sociedade para sensibilizar do perigo de ter armas e, assim, mobilizar cidadãos a entregarem as suas. Os números mostram que a campanha vem surtindo efeito, mas ainda estamos longe de ficar livres desse perigo que parece estar sempre à espreita, até porque ninguém desconhece que o volume de armas de fogo em circulação no país é bastante significativo, principalmente nas mãos da marginalidade. As armas entregues na campanha são tão-somente aquelas em poder dos cidadãos que, no intuito de se defender da violência desenfreada, acreditam que elas possam lhes ser úteis em um momento de perigo. Ledo engano, arma na mão de alguém despreparado pode resultar em uma grande tragédia. A campanha é deveras louvável, até porque qualquer medida que possa contribuir para minimizar a violência é válida. No entanto, alguns pontos precisam ser analisados com cuidado, tal como o destino das armas recolhidas pela campanha. Fato ocorrido recentemente no litoral paulista, onde uma pistola 6,35 mm entregue à Campanha do Desarmamento foi encontrada nas mãos de uma adolescente de 14 anos coloca em xeque o real destino dessas armas e deixa no ar uma indagação: quantas dessas armas recolhidas pela campanha já foram desviadas? Estão agora nas mãos de quem? Há também outro ponto a ser questionado, e diz respeito ao armamento pesado que faz parte do arsenal da bandidagem. Arsenal este que aumenta a cada dia e cujo poder de fogo é assustador. Esse volume de armas com certeza vai permanecer nas mãos de marginais, não há como tirá-las de circulação, colocando assim a população à mercê da criminalidade. Além de desarmar os cidadãos de bem, que na verdade se armam na intenção de se sentir mais seguros (pura ilusão), nossas autoridades deveriam agir em defesa desses cidadãos e combater a entrada pelas nossas fronteiras das armas que dão poder de fogo aos bandidos. Quem sabe assim a violência dá uma trégua? TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião