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ARTIGO
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007, 20h:42

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

Segurança em vôos é um mito

Com o choque que espatifou o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas (SP), terça-feira à noite, matando todos os 170 passageiros e mais seis tripulantes, explodiu também o pouco resquício (se é que ainda existia algum) de credibilidade de que o setor aéreo, sob a responsabilidade do governo federal, dispunha no país. E por tabela, caiu por terra o mito de que voar é ainda o meio de transportes mais seguro do mundo. No Brasil, pelo menos, está provado que não é. Depois de tanto apagões aéreos e sucessivas crises na aviação, envolvendo desde insubordinação de militares do controle aéreo às constantes falhas técnicas e administrativas (e não só do governo, mas também de empresas que exploram o setor), só faltava mesmo esse acidente – uma espécie de sinistro já anunciado e esperado por todos – para manchar ainda mais, com as cores da tragédia, a rotina de caos e perigo que se tornou viajar de avião no Brasil. Cenas de dor, pânico e perplexidade foram transmitidas online por sites e blogs da internet e com cobertura de redes de TVs, inclusive internacionais. Informações desencontradas permearam, também, o noticiário – o que não é incomum em circunstâncias como essa, onde os próprios repórteres e editores, que precisam ser frios e didáticos no relato dos fatos, acabam se deixando levar pelo sentimento de indignação e perdem um pouco a noção dos detalhes. Falha humana do piloto, que teria entrado velozmente em uma pista que ele, como profissional, já deveria saber que estava molhada e escorregadia? Irresponsabilidade da Infraero (empresa do governo federal que administra os principais aeroportos brasileiros, inclusive o de Congonhas) que liberou para o tráfego aéreo uma pista insegura para as aterrissagens? Tudo isso e mais uma somatória de outros fatores negativos podem ter contribuído para ocasionar esse que é o maior acidente aéreo do país. Ocorrido – o que é mais grave, por mostrar toda a insegurança que ronda o setor - poucos meses depois de um outro jato, também superlotado de passageiros e tripulantes (também, todos mortos), haver se espatifado na parte da selva amazônica pertencente ao território mato-grossense. Um acidente, aliás, até hoje cercado de polêmica sobre os verdadeiros responsáveis pela sua causa. Se por imperícia (ou imprudência?) dos pilotos norte-americanos do pequeno jato particular que teria se chocado com o avião de passageiros, ou se foi por culpa do controle aéreo que não alertou os pilotos dos dois aviões de que estavam voando em rota de colisão? Neste momento, mais do que ficar buscando culpados (tarefa que não compete a este articulista, que não é nenhum expert em aviação), importa evocar que as duas tragédias aéreas ocorreram em curto espaço de tempo, até como referência sobre os riscos que pairam sobre tantos quantos, a trabalho ou a passeio ou por outras razões, como a urgência de uma eventual busca de socorro médico, necessitam viajar de avião. E lembrar, por oportuno, que, no Brasil, onde tudo se desmoraliza e desmorona junto com as instituições públicas, o transporte aéreo vai perdendo, rapidamente, sua fama de ser um dos meios de deslocamento mais seguros do mundo. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16966




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