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ARTIGO
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010, 20h:49

ADILSON ROSA

Se sobrar, passa

Que o transporte coletivo na Capital não é um dos melhores do país, todo mundo sabe, mas existem algumas peculiaridades que só existem por aí. Tem duas linhas realizadas por microônibus - º de Março e Tres Barras - que passam pela avenida dos Trabalhadores e que deveria passar na avenida Tenente Coronel Duarte entre 5h30min e 6 horas, mas isso não acontece todo dia. Fui atrás e descobri que aquela linha só é feita quando o carro reserva da empresa não está em uso. A justificativa é que a Prefeitura não faz o repasse regular do passe estudante gratuito, deixando as empresas sem caixa para novos investimentos. Toda empresa tem que ter ônibus ou microônibus reserva e neste caso, servem linhas quando os veículos de linha não quebrem. Nesse cenário, tem dia que os dois microônibus passam próximo das cinco e meia ou próximos das seis horas. E há dias que simplesmente não passam, pois os outros micros estariam em revisão ou ‘desconsertaram’. Acontece que o usuário do transporte coletivo não pode ficar à mercê da própria sorte - neste caso literalmente - pois depende de horário para chegar no trabalho. Que se saiba, não existe empresas que determinam horário de entrada “assim que o ônibus passar”. Nem em ficção. As autoridades da área de transporte da Capital precisam solucionar esse problema. Nesse jogo de empurra, as empresas alegam que não tem como investir em novos veículos. A Prefeitura por sua vez, também não pode ser muita rígida porque estaria com repasses retidos além do período normal de pagamento - uma empresa há alguns anos teve quase sua frota apreendida porque não recebeu o repasse e atrasou o pagamento do leasing. E nesse jogo, sobra evidentemente para o passageiro do ônibus que paga um transporte caro e sem conforto e, agora, sem horário definido. Essa soma de fatores é que contribuem para a má avaliação do transporte coletivo num todo. Caso houve ônibus “sobrando” nas linhas, com certeza, o usuário ficaria menos tempo nos pontos e, como já está acostumado em viajar em ônibus lotado - teria um desconforto a menos. O interessante que Cuiabá tem uma frota - até elogiada - de microônibus justamente para suprir a falta de coletivos em determinadas linhas. Parece que ainda não surtiu efeito. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16962




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