O secretário estadual de Saúde, Pedro Henry, está se mostrando um obstinado, corajoso até, na sua disposição de tentar mudar o atual modelo de gestão da saúde pública, que já provou que é obsoleto e não atende as necessidades da população. Nessa luta, Henry vem enfrentando ataques raivosos de grupos que não aceitam mudanças nas regras de gerenciamento do setor. Sendo a mais irada das manifestações a que ocorreu na última quarta-feira (7) e quando o Conselho Estadual de Saúde (CES) aprovou por 13 votos favoráveis e 12 contra o novo modelo de gerenciamento da saúde proposto pelo Governo do Estado por meio de parcerias com Organizações Sociais de Saúde (OSS). É evidente que apenas a alteração na forma de gerir a saúde, por si só, não será suficiente para resolver os muitos e complexos entraves que emperram o funcionamento do setor na sua obrigação de prestar atendimento de primeiros socorros, médico e hospitalar de qualidade à população. Pode ser o caminho, mas outras medidas iguais ou mas corajosas terão que ser tomadas. Torcemos para que Pedro Henry continue com a mesma disposição e se disponha a enfrentar privilégios e os cartéis que infestam, e de há muito tempo, essa área do serviço público. Quanto ao resultado da votação, o que se viu da parte dos que tiveram seus interesses contrariados foi desrespeito, traduzido por explosões ensandecidas de elementos radicais, que não se conformaram com a derrota e optaram por xingamentos ridículos e até ameaças de agressão ao presidente do conselho, Pedro Henry, que, na condição de secretário de Estado de Saúde, está à frente da implantação do novo modelo, que pode significar uma mudança do tipo de atendimento que a população mato-grossense poderá receber na área de saúde. A baderna promovida, naquela reunião, por estudantes que formavam uma claque para vaiar e xingar, incluiu a formação de um ridículo trenzinho, fazendo voltas em frente aos conselheiros (não respeitando idade e nem o conhecimento) e lhes dirigiam palavras ofensivas e gritavam, como se estivessem num estádio de futebol, ou num festival de rock, e não num ambiente sério, onde um importante assunto estava sendo discutido. Os membros da claque, uma massa carreada por aqueles que estão em vias de perder privilégios com a iminente implantação do novo sistema na saúde pública, foram simplesmente patéticos A gota d´água para a reação de estudantes foi o voto da reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) favorável a implantação das parcerias com as OSS em todo o Estado. A UFMT (qualificada pelo MEC como a terceira melhor faculdade de Medicina do País) é a instituição onde a maioria daqueles manifestante estudam (gratuitamente, graças ao dinheiro do contribuinte). Não se conformando com o voto, ameaçaram o representante, dizendo sua hora vai chegar, e a Casa da Reitoria vai cair. Muitos desses estudantes, quem sabe nossos novos médicos, talvez não pararam para pensar que o novo modelo pode significar para eles o emprego do futuro. Talvez, agiram industriados por interesses corporativistas, que não querem sair de uma zona de conforto, proporcionado por um cargo público, que serve para despejar ao final do mês um dinheiro em suas contas-correntes, não importando se cumprem ou não com suas responsabilidades, de comparecer a postos de saúde, policlínicas, pronto-socorros, para atender mães desesperadas que buscam socorro com filhos nos braços. Estudantes esses que não sabem que Pernambuco (que preconceituosos chamam de atrasado) possui o Porto Digital, um pólo tecnológico que abriga gigantes como Microsoft, Motorola, Sun, Nokia. Estudantes esses que não sabem que em Pernambuco o modelo com as OSS, implantado há um ano e meio em quatro hospitais e 14 Unidades de Pronto Atendimento, fez aumentar a procura por bons profissionais médicos, elevando o pagamento para o plantão de 24 horas de R$ 2 mil para R$ 6 mil. Se não sabem disso, deviam investigar. Apesar de todas as reações, o Conselho Estadual de Saúde (CES) ratificou o que os conselhos municipais de Saúde de Várzea Grande e de Sinop (com hospitais sem funcionar por falta de equipamentos) já haviam decidido: a saída para resolver problemas crônicos que o Poder Público não vem conseguindo resolver há décadas, passa pelas parcerias com as Organizações Sociais, concebidas dentro da Reforma da Administração Pública (governo Fernando Henrique Cardoso de 1995 a 1998) e, cujas primeiras experiências, começaram em 1998 em São Paulo, e que hoje se espalham por vários Estados. Contratada para gerir a unidade, cujo patrimônio continua público, a OSS tem que cumprir com o contrato (específico para cada caso, e que envolve contratações e aquisição de equipamentos) que estabelece metas. Se, na avaliação, a OSS não cumprir com o prometido, o Estado pode a qualquer momento assumir novamente a gestão. Se o modelo em Mato Grosso vai dar certo, o tempo é que vai dizer. Mas para saber, precisamos experimentar esse modelo. Mario Marques de Almeida é jornalista. E-mail:
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