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ARTIGO
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012, 19h:29

LORENZO FALCÃO

Saudações tricolores

E levamos o caneco. Nós, tricolores, depois de 19 anos conquistamos novamente a Taça Guanabara numa das mais emocionantes partidas deste ano. Pouco antes de escrever estas linhas, conversei com um amigo vascaíno. Ele me disse que gostou do jogo, porque o Vasco jogou bem e eu retruquei que também sou assim. Mesmo que o meu time perca, se pelo menos tiver jogado bem, o tamanho da desgraça é menor. O problema do Fluminense é que com um elenco forte, com reservas de luxo, mesmo quando vencia, o time não jogava bem. E o torcedor decente tem que reconhecer isso. E quem assistiu a vitória do 3 a 1 do Flu sobre o Vasco deve ter percebido que as duas equipes jogaram bem e, no frigir dos ovos, a qualidade de alguns jogadores do tricolor acabou prevalecendo. Ah... E preciso admitir uma certa canalhice de minha parte. Já estava achando que a culpa maior pelo fato de o time não acertar, mesmo tendo jogadores tão técnicos, seria mesmo do técnico, o Abel Braga. E, na verdade, ainda não tenho tanta certeza assim de que o Abelão está totalmente isento de culpa. O problema é que a gente nunca sabe ao certo como é a relação do técnico com os jogadores, porque quando eles (técnicos e jogadores) dão entrevistas, sempre falam na importância do coletivo, do grupo, mas percebe-se que isso é mais burocrático do que sincero. E defendo a tese de que há inverdades nessas entrevistas, porque sabemos que nesse mundo midiático que envolve grandes times e seus craques milionários, a vaidade e o egocentrismo pesam muito. Coisas do futebol. Mudando de assunto, venho aqui publicamente solicitar que o querido amigo botafoguense, Gabriel Novis Neves, reveja a sua decisão de abandonar o futebol. Disse ele num belo texto que vai pendurar as chuteiras como torcedor. Isso aconteceu após a derrota na disputa por pênaltis do Botafogo contra o Fluminense. Pô, Gabriel, reconsidere. Todos nós precisamos dos prazeres mundanos que a vida oferece e neles está incluído o futebol, esse esporte popular e tão apreciado por nós brasileiros. Então é quase isso. Digo quase, porque ainda preciso preencher mais algumas linhas, pro texto preencher este espaço e ficar do tamanho exato. Exato como foi o futebol do Fluminense no último domingo. A defesa com problemas, como sempre, mas o meio de campo e o ataque se entendendo e aplicando a qualidade do passe que convém a atletas do nível do elenco tricolor. Dessa forma, os gols são apenas uma consequência natural. E agora, na próxima semana, vem a terrível partida contra o Boca Juniors, um dos mais tradicionais times da Argentina, lá na casa deles. É a pedreira da Taça Libertadores. Imagino como não estarei no dia dessa partida. Mas, to tranquilo. To nada. Quem sabe o Gabriel, que é médico, pode me receitar algum remédio pra me deixar menos ansioso. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário tyrannusmelancholicus.blogspot.com

Edição EDIÇÃO 16961




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