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ARTIGO
Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010, 19h:49

LORENZO FALCÃO

Saudações tricolores

Sou tricolor de coração. De nascença também. Nasci em Niterói e os nativos dessa cidade são chamados de fluminenses. Ou papa-goiabas. Diferente da minha mãe que é papa-banana, aqui de Livramento (MT). E Livramento é mais perto da Várzea Grande do que de Cuiabá, daí que sou também operariano. As cores são as mesmas ou quase isso. De grená para vermelho, a diferença é pequena. Mas o que interessa é que sou torcedor do Fluminense e que sofri que nem cachorro em dia de mudança, até ver meu time se sagrar campeão brasileiro domingo passado, depois de 26 anos na fila. Assisti ao jogo pela TV paga. Mas só até aos 20 minutos do segundo tempo, mais ou menos, porque um temporal caiu em Cuiabá e interrompeu tudo. A energia caiu e... babau. Foi tempo suficiente para ver o golzinho único do Fluzão, que nos deu o título, independente de quaisquer resultados dos outros times que almejavam, com chances matemáticas, ao título. Depois disso minha opção foi monitorar o jogo pelo telefone celular, através de mensagens, conversando com minha irmã, Mônica, que mora no Rio e também é tricolor, como meu pai, minha mãe e meu irmão. Eles moram no Rio e eu aqui em Cuiabá. Minha família, portanto, torceu unida, mesmo geograficamente separada. Aqui em casa, como não temos rádio a pilha (ainda existe isso, é verdade), ficava esperando as mensagens pelo celular... Fiquei também de olho na movimentação e no foguetório da vizinhança. Quase em frente a minha casa residem uns cruzeirenses e percebi que o Cruzeiro tinha ganhado do Palmeiras. Como não teve foguetório mais ruidoso, desconfiei que o Corinthians não tinha feito o seu dever de casa. Não conseguiu ganhar do Goiás. Empacou... Ops, empatou lá em Goiânia. Aí, então, né... Veio a mensagem da Mônica. Era o que eu esperava. O Fluminense de Conca, Fred, Murici e Washington, porque não ele..., que ainda deve estar vitimado por algum congá, se sagrava bi-campeão brasileiro. Ou tri campeão. Nelson Rodrigues, que era tricolor, que nem eu, dizia que o futebol é a pátria de chuteiras. Acredito... Hoje, campeão, com méritos e num campeonato emocionante, além de tricolor, me confesso também um pouco mala. Nem mala preta, nem branca. Mala, apenas para curtir e ‘tirar’ em cima daqueles que torciam contra o Fluminense. Depois que a energia voltou e o sinal da TV paga também assisti com gosto os minutos que faltavam e, claro, torci novamente. Hoje escrevo para mandar o meu grande abraço e as congratulações aos tricolores aqui de Cuiabá que, mesmo não sendo muitos, sabem torcer civilizadamente, sem coices, pontapés, pedradas, mortos ou feridos... Porque futebol é também alegria. Valeu Rômulo Guimarães, Paulo de Tarso Vilela, Nei Ferraz, Tinho Costa Marques, Ademar Portugal, Neigmar Diniz, Gentil Esteves e mais alguém que eu possa ter esquecido. Ah, e o Paulo Zaviasky, que também torce para o Fluminense e eu não sabia. Nós, tricolores, estamos por cima e com a bola toda. Valeu Fluzão!!! * LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras

Edição EDIÇÃO 16962




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