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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, 19h:58

AIRTON REIS

Santos, santas e santinhos

Nem cobras cegas, nem jacarés nos banhados. Nem olhos de águias, nem garras de gavião. Nem partidários de uma nação remendada em folhetim. Nem sinfonia orquestrada com clarinete ou clarim. Nem santinho querendo o lugar de um serafim. Nem meio e nem fim. Apenas o princípio de uma mesma maioria unida em ideal. Apenas uma pátria dita constitucional. Mais de uma desigualdade em tempo integral. Mais de uma calamidade ambiental. Mais de uma fogueira queimando em lastro incandescente. Mais de uma nascente soterrada num mesmo manancial. Mais de uma candidatura de pleito em pleito eleitoral. Mais de um nome avaliado em potencial. O mesmo povo sem horizonte social. A mesma saúde cada vez mais sucateada, sem atendimento médico e sem hospital. A mesma educação disfarçada de ensino em nada fundamental. A mesma praça ocupada pelo infante aprendiz de marginal. Outros velhos conceitos políticos aplicados em nome do desenvolvimento sustentado. Os mesmos ocupantes cativos de um jogo além de um gramado. Outro eleitor enganado. A mesma rota do crime organizado de fronteira em fronteira desprotegida. A mesma chaga, a mesma ferida. Nada de novo. Nada de inovador. A mesma fome diante do mesmo interlocutor. A mesma barriga vazia sem residência fixa e sem a oportunidade do primeiro emprego com carteira assinada. A mesma folha salarial cada vez mais ampliada. A mesma coisa pública cada vez mais embriagada pelo poder de barganhar. Os mesmos verbos vender e comprar. A mesma república dos acontecimentos ocorridos de página em página em página policial. A mesma violência banalizada em manchete de jornal. Uma nova instância. Uma velha estratégia usada para defender direitos violados em essência. A mesma aparência retocada além do corte do cabelo. O mesmo fio emaranhado em novelo. A mesma aranha tecendo a teia noite e dia. A mesma matilha uivando em bandos esfomeados. Os mesmos miúdos trocados em papéis timbrados. Outros analfabetos funcionais conquistados além das bocas das urnas. Outros desertos avistados além das dunas. Os mesmos camelos e dromedários guiados em longa travessia dita institucional.São Jorge guerreiro e mais de um dragão por dia. Santo Frei Galvão: apontai-nos a verdadeira democracia! Santo Expedito e Santa Rita de Cássia: atendei-nos enquanto eleitores abandonados aquém de uma periferia! Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora da Guia: fazei de nós um só eleitorado unido em esperança, fé e igualdade. Nosso Senhor Bom Jesus nos abençoe, nos guie, nos guarde! Antes e depois do nosso voto livre, secreto e universal. Assim seja. Amém! *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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