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ARTIGO
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012, 21h:29

EZIO OJEDA

Sagrada família

Em qualquer campo de embate retórico, penso que a família ocupa importante papel na dialética. Desde a longínqua pré-história, temos provas da existência de pessoas conviventes sob os mesmos tetos rupestres. "O homem é um animal social", já afirmava ninguém menos que o maior dos pensadores gregos, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C) em uma de suas fantásticas obras: "Política". Talvez ainda surja alguém para contestá-lo com robusta argumentação, mas até que isso não aconteça, prefiro acompanhar seu posicionamento sobre o assunto. Desde que me entendo por gente, enxerguei em meus pais o exemplo a seguir como pessoas de bem, numa verdadeira devoção e resignação aos ensinamentos recebidos. Conselhos, pitos e alguns puxões de orelha foram edificantes. Sou do tempo que bastava um olhar sisudo para se entender o recado. Legítima escola de vida, a família deve albergar e conduzir a criança para um futuro seguro e feliz. Tão insigne função é valorizada depois de ausente. O primeiro passo na deterioração de um ser humano é a desintegração ou abandono familiar. Vemos com muita frequência esta crise na dependência química, no alcoolismo, nos desvios de caráter, enfim, na criminalidade em geral. Por favor, corrijam-me se estiver equivocado, mas assumo em alto e bom som: sou um defensor incondicional da família. Não que seja a panaceia de todos os nossos problemas, não. Sob seu manto, porém, conseguimos enfrentar qualquer desafio da vida real, com dignidade e força que, solitários, jamais teríamos. Pobre ou rica, não obsta. O respeito e confiança nos pais, a amizade e cumplicidade de irmãos são apanágios que levamos para as ruas. Alguns anos de experiência que carrego como voluntário de serviços comunitários me comprovam que diversos drogaditos e delinquentes de rua trocariam tudo por um beijo de mãe. O crack, já considerado uma pandemia, vem sendo malvisto até pelos traficantes por sua letalidade acima do comum. Seus efeitos deletérios sobre o sistema nervoso são imediatos. Resíduo pervertido da cocaína, esta novidade norte-americana vem dizimando a juventude em dimensões continentais. Elimina o usuário em pouco tempo, dando prejuízo até àqueles que sobrevivem das mortes dos tais clientes. Tive oportunidade mesmo de conhecer pessoas que depois de um único contato, abandonaram suas casas e se sucumbiram nas sarjetas. Sem o devido apoio e tratamento multidisciplinar, estarão condenados ao vale da morte, com certeza. É mister o engajamento de todos para se alcançar alguma melhoria não só na problemática das drogas, mas de tantas outras coisas: saúde pública, segurança, educação, trânsito, enfim a vida em geral. Ao contrário do que se postula como "instituição falida" ou "antiquada", saibamos que a família é tudo que vale a pena preservar neste "campo de guerra". Chamem a mim de ultrapassado ou demodê, a ela não! As lições que aprendi repasso aos meus filhinhos. E não tenho dúvida que, se quisermos discutir o futuro, sem os princípios moral e ético norteadores do lar, estaremos soltando palavras ao vento. Como afirmava Aristóteles, o homem busca a união por mero impulso natural. E esta natureza só será lógica se, além de nos unirmos, mantivermos este elo sólido e saudável, sob a pena de, em ressonância, destruirmos não somente a família, mas toda a sociedade. Que a Sagrada Família seja o nosso exemplo maior e que Jesus, José e Maria nos iluminem na reconstrução deste mundo sem pai e sem mãe! *EZIO OJEDA - médico, advogado e oficial da reserva do exército em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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