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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 18 de Junho de 2011, 14h:25

LEITOR

Rua do Bandeirantes tem lado restrito

“Sou condutor de veículos, procuro ser o mais justo possível no trânsito, mas existe um certo comodismo por parte de muitos condutores, que chega a ser revoltante. Existem condutores, que estacionam em local proibido, só por preguiça de caminhar um pequeno espaço, pensam somente neles e os outros que se danem. Quando pensarem um pouquinho na coletividade, a coisa melhora, e muito. Não é difícil, é apenas uma questão de mudança de hábitos. Péssimos hábitos, diga-se.” J. P. AVELÓZ, policial militar, Várzea Grande/MT [email protected] *** “Como sempre, os locais só estão preocupados com seus interesses, em detrimento dos interesses da maioria. Deixar de circular ônibus numa rua com uma das maiores escolas públicas do Estado??? Excelente decisão da prefeitura. Na rua Marechal Deodoro a mesma medida foi tomada, com resultado excelente para o fluxo de trânsito. Os comerciantes locais, claro, foram contra.” JOAO TERTULIANO, Cuiabá/MT [email protected] *** “Ô povo de Cuiabá, vamos acordar! Cuiabá não é mais a mesma de 20/30 anos atrás, precisa de mudanças não só no trânsito, mas na cabeça das pessoas também! Vamos deixar de olhar para o próprio ‘umbigo’ e ser pela coletividade. Mudanças tardias, mas já para Cuiabá! Radares e redutores de velocidade sinalizados, policiamento de trânsito, maior controle de vagas de estacionamento por agentes de trânsito, hospitais públicos decentes e gestores competentes nas suas funções, chega de cabide de emprego e QI (quem indica). Aqui é a capital de Mato Grosso gente, acordem!” RHODE FARIAS, consultora comercial, Cuiabá/MT Atrasos nas entregas dos Correios “É um vergonha o que ocorre com os serviços postais no Brasil inteiro. Investimentos e registro de CEP Errado é uma situação, de incompetência. Vemos os Correios patrocinando jogos de primeiro mundo e outros patrocínios que orgulham os brasileiros, porém quando é para entregar correspondência a situação é uma calamidade. Eu moro em Bonsucesso, Várzea Grande-MT, aqui abri um posto há mais de 2 anos e até hoje os Correios e a prefeitura não assinaram o convênio e o espaço foi a comunidade que reformou e nada. Receber uma carta aqui só se for de barco. Acha que chegara com certeza, mas os Correios nem olham para nossa gente, a gente precisa ir a Agência Centro e ainda enfrentar uma longa espera, pois o povo de lá nem olha para a cara da gente. Trata o cidadão como bicho e não gente, e ainda nunca tem carta para ser entregue. Assim, recebo minhas cartas na casa de um amigo a 17 km de minha residência, e chegam sempre atrasadas, contas já vencidas. Isto virou moda!” JOSÉ WILSON TAVARES, professor, Várzea Grande/MT [email protected] Taques assina documento para a instalação de CPI “Foi para isso que votei no senhor, senador, não é porque é da base aliada que deve compactuar com essa falta de ética. Aliás, esse governo vive promovendo esse tipo de episódio e sempre culpa a oposição por oportunismo. Eles sempre têm razão e o mundo está sempre errado. Vamos acordar! Democracia é para termos a opção para promover alternância de poder, não podemos conceder poder total a um só lado.” WASHINGTON MILHOMEM, administrador, Cuiabá/MT Ensino de língua e obviedades “Boa defesa nos argumentos para que o farol de nossa educação continue sendo a língua-padrão. Quanto à discussão do ensino 'errado' do MEC, o linguista Dwight Bolinger (Language: The Loade Weapon) apresenta a metáfora 'arma carregada' para explicar como as agressões verbais dos indivíduos letrados são utilizadas contra os que não dominam os mecanismos formais da língua. É disso que se trata o 'preconceito linguístico', uma estratégia de agredir o outro apenas porque se faz uso de uma forma menos formal e despretensiosa da língua. A língua ensinada no espaço escolar é uma das dúvidas de quem precisa estudá-la e às vezes, também, de quem a ensina, porque a Língua do espaço escolar não parece ter ligação com a língua da rua. Muitos utilizam argumentos defendendo a manutenção da pureza da Língua, mas caem por terra tais argumentos quando estudos de filólogos ou de linguistas tradicionais indicam que em períodos curtos de tempo a mudança na escrita e na fala é algo mais que inerente no processo de uso dos falantes, por exemplo, no caso familiar duas ou três gerações convivem com variações linguísticas devido à diferença na idade de seus membros, o que não impede a comunicação entre eles. A Língua pura ou cristalizada já existe nos diversos compêndios e na gramática oficial, na sua forma escrita, mas na fala - terra-de-ninguém ou de todo mundo - somente como meta utópica viria um dia a cristalizar-se, visto que num país continental há tantas maneiras de uso da Língua, que expressões coloquiais demonstram que o bidialetismo é mais que desejado, sendo até de certa forma uma consequência natural do uso dos falantes. Agora, um argumento pobre, para não dizer torpe, é o de que o ensino de Língua-padrão é devido ao acesso à carreira pública via concurso. Se isso fosse verdade nossa nação irá se deparar com mais um problema na coleção enorme de problemas existentes por aqui, porque funcionários públicos são minoria em uma população de quase duzentos milhões, e sabe-se que é muito antidemocrático impor à maioria o desejo de uma minoria, o que poderá criar o problema de que alguns cidadãos poderão requerer cotas no serviço público devido a ter sido vítimas de um processo que não permitiu o domínio da Língua de acesso à carreira pública. De certa forma, isso já funciona no caso da Língua oficial, visto que a gramática é a compilação de escolhas linguísticas na variante escrita de uma minoria que reproduziu ficcionalmente a forma como os brasileiros padronizados nas belas letras falam. A discussão sobre certo ou errado é algo inerente à forma como vemos o mundo, pois, segundo Levi-Strauss, a civilização humana pensa seu modo de vida através de pares. Mas no caso do embate Língua-padrão versus Língua não-padrão, prefiro o pensamento de Nietzsche: 'Eu temo que não venhamos a nos ver livres de Deus porque ainda acreditamos na gramática'. É essa fé na gramática que não permite um diálogo com outras formas de uso da Língua materna no país.” FLAVIO BENEDITO DE SOUZA, funcionário público, Cuiabá/MT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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