O Ministério Público do Rio Grande do Sul e de São Paulo estão entrando com ações contra uma igreja evangélica por entender que o dízimo pago pelos fiéis está sendo desviado do principal objetivo que são obras sociais. O MP pode estar tentando legislar num campo minado que é mexer com a fé das pessoas. Esquece o Ministério Público que o dízimo não foi inventado pelos pastores, mas está presente na Bíblia e todas as religiões o recolhem. Usar os meios de comunicação principalmente a televisão é uma forma de espalhar a palavra de Deus a todos os seguidores da religião. Basta sintonizar os canais de TV aberto ou por assinatura que existem hoje uma dezena ou quase de canais evangélicos que pagam fortunas aos proprietários dos canais para ficarem no ar. E tudo isso com o pagamento do dízimo, e isso não é de hoje. De uma hora para outra, o Ministério Público achou que o pagamento do dízimo está incorreto. Não deve demorar muito e pode achar que o dízimo é inconstitucional. Querer achar algo errado na fé no Brasil é procurar chifre na cabeça de cavalo, é tentar decifrar dogmas, é entrar para o campo do subjetivo. O MP poderá seguir dois caminhos. Achar que somente a Igreja Universal cobra dízimo e desvia de sua finalidade, é analisar uma única das dezenas de igrejas que possuem o mesmo procedimento. Então estará sendo parcial. O MP terá que ser imparcial que é o todo Ministério Público busca fazer -, mas nessa segunda opção terá que colocar na Cadeia dezenas ou centenas de pastores porque estão ludibriando a fé, praticando o crime de estelionato que é aproveitar da boa fé das pessoas. Mas aí, vai comprar uma briga com mais da metade da população brasileira. E o MP sairá perdendo porque os pastores terão mais poder de convencimento. Algumas religiões, por exemplo, exigem que seus seguidores andem bem vestidos e tenham uma vida confortável. Estudos demonstram que países que possuem um grande índice de suicídio não tem um povo religioso. São, na maioria, ateus. A religião passa a ser algo que as pessoas colocam na vida como meta. E com certeza, o MP saberá até onde pode ou não. Até agora, no entanto, está pisando em campo minado. Ainda bem que o MP de Mato Grosso não colocou essa questão em sua lista de prioridade. ADILSON ROSA e repórter