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ARTIGO
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 08h:50

ADILSON ROSA

Respeito ao dízimo

O Ministério Público do Rio Grande do Sul e de São Paulo estão entrando com ações contra uma igreja evangélica por entender que o dízimo pago pelos fiéis está sendo desviado do principal objetivo que são obras sociais. O MP pode estar tentando legislar num campo minado que é mexer com a fé das pessoas. Esquece o Ministério Público que o dízimo não foi inventado pelos pastores, mas está presente na Bíblia e todas as religiões o recolhem. Usar os meios de comunicação – principalmente a televisão – é uma forma de espalhar a palavra de Deus a todos os seguidores da religião. Basta sintonizar os canais de TV – aberto ou por assinatura – que existem hoje uma dezena ou quase de canais evangélicos que pagam fortunas aos proprietários dos canais para ficarem no ar. E tudo isso com o pagamento do dízimo, e isso não é de hoje. De uma hora para outra, o Ministério Público achou que o pagamento do dízimo está incorreto. Não deve demorar muito e pode achar que o dízimo é inconstitucional. Querer achar algo errado na fé no Brasil é procurar chifre na cabeça de cavalo, é tentar decifrar dogmas, é entrar para o campo do subjetivo. O MP poderá seguir dois caminhos. Achar que somente a Igreja Universal cobra dízimo e desvia de sua finalidade, é analisar uma única das dezenas de igrejas que possuem o mesmo procedimento. Então estará sendo parcial. O MP terá que ser imparcial – que é o todo Ministério Público busca fazer -, mas nessa segunda opção terá que colocar na Cadeia dezenas ou centenas de pastores porque estão ludibriando a fé, praticando o crime de estelionato que é aproveitar da boa fé das pessoas. Mas aí, vai comprar uma briga com mais da metade da população brasileira. E o MP sairá perdendo porque os pastores terão mais poder de convencimento. Algumas religiões, por exemplo, exigem que seus seguidores andem bem vestidos e tenham uma vida confortável. Estudos demonstram que países que possuem um grande índice de suicídio não tem um povo religioso. São, na maioria, ateus. A religião passa a ser algo que as pessoas colocam na vida como meta. E com certeza, o MP saberá até onde pode ou não. Até agora, no entanto, está pisando em campo minado. Ainda bem que o MP de Mato Grosso não colocou essa questão em sua lista de prioridade. ADILSON ROSA e repórter

Edição EDIÇÃO 16960




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