ARTIGO
Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2012, 21h:20
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JOSÉ ARIMATÉIA
Regularização Agrária
O que para mim teve maior importância é que, quando dela tratei, falava praticamente sozinho, ante pessoas que oscilavam entre apatia e a hostilidade. Estava, então longe do assunto, pelas implicações e falta de consciência. A saber, falavam-se e pregavam a reforma agrária ao longo dos anos. Ora, não existe nem a Regularização Agrária de terras brasileiras, como reformar, o que não existe. Defendíamos além da Regularização Fundiária a criação da JUSTIÇA AGRÁRIA. No tempo da minha luta, atacar o latifúndio improdutivo e defender as minhas ideias, era ser subversivo. Latifúndio este que através de trustes internacionais agiam a favor dos interesses e ganância do capital estrangeiro. Faziam justiça com a violência, pistoleiros e bandidos. O meu trabalho e a minha atuação como vereador e deputado estadual em Barra do Garças, foi sempre em favor dos verdadeiros trabalhadores rurais, cuja terra não era objeto de especulação financeira, mas sim, a sobrevivência da sua família, por falta de oportunidades, analfabetismo, humilhações, como eram tratados nas cidades. Nunca apoiei ou defendi grileiros de terras produtivas. No inicio a minha aproximação com os trabalhadores refletia apenas desejo de conhecer os problemas e aspirações desses milhões de brasileiros. Na minha região de atuação, como pessoa, entretanto, estabeleceu-se um vinculo humano permanente entre mim e eles. Sou amigo pessoal e compadre de muitos deles. Preocupado com a situação de carência crônica na vivencia desse imenso contingente da população brasileira, eu de fato, abracei a causa da legalização Agrária, da Reforma Agrária e da Justiça Agrária. Sonhava eu com o que pareciam viáveis. Tudo transformou-se com a violência contra estes trabalhadores, transformando o meu sonho de dias melhores em um pesadelo social, vivido até hoje no Brasil. O Brasil foi ocupado e colonizado, marginalizando o trabalhador. Este processo histórico traz a tona os problemas ora vividos em várias regiões do País. Cito o imbróglio da área de Marãiwatsédé, que envolve, além dos indígenas, cerca de 21 mil moradores de Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia. Isso, no olho do furacão, já que toda região, conhecida como Baixo Araguaia, com vários municípios, onde aportaram milhares de brasileiros, possuem grandes chances de tornarem-se CIDADES FANTASMAS. Sem querer emitir valor de juízo, e não farei a favor de nenhuma parte interessada, pois na minha modesta opinião, quem deve ser o Réu neste processo é o atual governo e os que o antecederam, e, nada fizeram para uma solução negociada, concreta, sem maiores prejuízos para as partes. Agora irão destruir vários municípios. Transtornar a vida de milhares de pessoas, o que pode gerar um conflito entre índios e brancos, sem fim previsível. Vejo, e não estou aqui para censurar ninguém que com liberdade emitem suas opiniões, só que sem nenhum conteúdo de conhecimento. Emito a minha opinião ancorada em fatos que presenciei. A criação destes municípios só foi possível graças à luta de trabalhadores rurais que se fixaram na região. Não tinham estradas, sistemas de saúde e educação, verdadeiros pioneiros desbravando região inóspita. Ancoro-me nestes fatos porque presenciei e fiz parte desta luta. Como cidadão, vereador e deputado estadual, ajudei nestes movimentos e na construção desses municípios. Tudo agora pode está sendo destruído graças à inércia e a incompetência dos governantes. Será que eles nunca viram as policias de segurança e Policia Federal efetuarem o despejo de um trabalhador? Vendo acordado seu sonho transformando em pesadelo, querem que esses trabalhadores não reajam? Daí, machuca, menos os ignorantes, ver a presidente da República se oferecendo para salvar a Europa do CAOS ECONÔMICO. Enquanto aqui muitos dos seus companheiros estão envolvidos na maior máfia de assalto aos cofres públicos. Ouvi o ex-presidente Lula dizer que o caixa dois é normal. Vendo o governo se aliando com os maiores crápulas da política nacional, para conseguir maioria no Parlamento Nacional, estaduais e municipais. Milhares de seres humanos sendo assassinados pela violência urbana. Rodovias em calamidade pública. Sistema de saúde que não atende o povo por falta de recursos. E a nossa presidente mundo afora. É muita cara de pau! Se a chefe maior do estado brasileiro fosse do sexo masculino, seu rosto, em vez de cabelo, cairia serragem. Mas a Copa do mundo de futebol vem aí, e a FIFA vai levar mais um quinhão de real dos brasileiros. *JOSÉ ARIMATÉIA Ex-deputado estadual