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ARTIGO
Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011, 20h:17

LORENZO FALCÃO

Recuperar hábitos

Recuperar hábitos saudáveis é uma proposta que estou implantando neste novo ano. E consegui começar antes do carnaval, ainda bem. Sabe como é... Se deixo pra depois do carnaval, aí já vem a Semana Santa, depois as festas juninas, feriados e lá se vai mais um ano inteiro. E eu se meu retorno às leituras e caminhadas que, respectivamente, ajudam meu espírito e meu corpo. E estou conseguindo. Esse negócio de caminhada não tem muito mistério. Bate-se o martelo e a gente sai andando. Ajuda a catapultar a longevidade. Pelo menos é o que dizem e eu acredito. Sinto-me feliz após uma caminhada. Tem uma história de liberação de hormônio que compactuam com a felicidade, e que têm a ver com os exercícios físicos. E eu acredito. Embora ache um saco essa história de fazer esforço físico. O outro hábito, o da leitura, na verdade, me preocupava mais. Mas estou me saindo bem, graças ao livro “Viagens Inventadas - Crônicas e Quase Contos”, do amigo Marinaldo Custório. Um livrinho pequeno, só umas cento e poucas páginas. Foi ele que fez recuperar o hábito da leitura. Sobre o qual nem vou me estender, porque merece uma resenha exclusiva, dado o seu interessante conteúdo literário. Mal termino de ler esse e ganho um de outro amigo, o Renê Dióz. O livro não é de autoria do Renê, foi um presente. É do Lobão, aquele mesmo, escrito em companhia com o experiente jornalista Claudio Tognolli. São quase seiscentas páginas. Um livro, digamos, respeitável. Vejam bem, biografias, histórias reais e narrativas dessa natureza não são bem a minha praia. Gosto de ler ficção, em seu mais puro estado. E não gosto de textos jornalísticos... Ora, se já trabalho com isso, é natural que escolha para ler algo que esteja num patamar superior ao do texto jornalístico. Daí, que fiquei com medo de começar “Lobão – 50 anos a mil”, e depois interromper a leitura sem chegar ao final. Justo eu que gostava de me gabar que nunca deixei um livro sem terminar, pelo menos nos últimos 15 ou 20 anos. É que quando a gente aprende a se tornar seletivo, quando escolhe algo pra ler, dificilmente breca o negócio e tudo acaba escoando pra dentro da cachola. Pois é, mas vou que vou. Já ‘meiei’ o livro e continuo mandando bala na leitura. Coisa fácil de ler. Um estilo pré-jornalístico, eu diria. Uma narrativa pra lá de formal, que passam ao largo daquelas regras caretas do jornalismo praticado maciçamente pelo Brasil afora. Um texto, portanto, totalmente coloquial que, enquanto leio, tem vezes, que parece o Lobão me contando algo. Um passeio pela história mais recente da música brasileira e do Rio de Janeiro. Um bico de pena do Lobão, um sujeito/artista que é de lua, como ele mesmo diz, porque é para a lua que os lobos uivam. *LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço ás terças-feiras

Edição EDIÇÃO 16962




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