ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Abril de 2011, 20h:44
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FELIPE ASTORIAN
Quinze meses decisivos
Ao anunciar a criação de polos de acompanhamento das obras nas 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, o Governo Federal assume os atrasos na construção do evento. Será preciso avaliar se esse é o caminho correto diante da necessidade de uma linha de ação consistente, coordenada até agora, em tese, pelo Ministério do Esporte, mas que na prática não vinha funcionando. Os pólos só terão eficiência se cooptarem os governos locais - estados e municípios , que também têm derrapado em suas obrigações. Porque a verdade é que, dos 38 meses que faltam para a Copa, os próximos 15 são especialmente decisivos. Será neste período que 80% dos projetos devem decolar, nem mais nem menos. Os alvos são as obras estruturais em todos os segmentos mais sensíveis à administração de prazos e entraves burocráticos. Em alguns setores, os avanços são visíveis ou há ao menos a certeza de que os diagnósticos estão prontos. De certa forma é assim na área do Turismo, com as necessidades da rede hoteleira relativamente equacionadas e a iniciativa privada se mexendo. Também em Tecnologia e Comunicações o panorama está claro, até porque depende muito de recursos privados. Além disso, as teles e a linha de frente dos órgãos oficiais sabem muito bem o que fazer. Basta colocar dinheiro. Em outros segmentos-chave, como Segurança Pública e Saúde/Saneamento, o problema é mais de treinamento, qualificação e aperfeiçoamento do que de obras. Ou seja, ainda que os avanços sejam lentos, a urgência também é bem menor e o processo pode caminhar com um pouco de boa vontade dos governos locais, especialmente as prefeituras, na liberação de recursos. Em outra área sensível Energia -, os grandes projetos independem da Copa. Os apagões aqui e ali servem de alerta e só reforçam necessidades que o País já tinha e continuará tendo, mas que não estão ligados diretamente ao evento. A urgência urgentíssima nestes próximos 15 meses está ligada a três áreas complicadas: - Mobilidade São as obras estruturais em todas as 12 regiões metropolitanas que servirão como sede. Em alguns casos, são obras complexas, que mexem com regiões superpopulosas, como em São Paulo e Minas, o que dificulta a aprovação dos projetos e a liberação de recursos. Porém, mesmo nas cidades menores, como Natal e Cuiabá, os empreendimentos pressupõem tantas modificações no perfil urbano que tornam igualmente difícil a execução. - Aeroportos O estudo divulgado pelo Ipea na semana passada apenas ratificou o que estava à vista de todos: não há aeroporto pronto em nenhuma das 12 sedes, sendo que em alguns casos a situação é dramática (São Paulo, Natal, Brasília e Minas) - Estádios - Alguns avanços (Minas, Salvador e Fortaleza), algumas hesitações (Brasília, Manaus e Porto Alegre) e alguns na estaca zero (São Paulo e Natal) Além das questões estruturais, o que reforça o caráter de urgência dos próximos 15 meses é a campanha política para as prefeituras no segundo semestre do ano que vem. A estagnação do processo de construção da Copa durante a última campanha presidencial foi gritante e corremos o risco de presenciar em 2012 um irritante empurra-empurra em matéria de responsabilidades. Basta ressaltar a propaganda realizada neste momento pelo PSDB na televisão. Bater no Governo Federal e cobrar a presidente Dilma sobre a lentidão das obras é justo e fácil, porque estão lentas de verdade. Mas, em São Paulo, por exemplo, a própria administração tucana jogou pelo ralo os dois últimos anos e o Estado mais rico do País é, hoje, um dos mais atrasados na organização do evento. Sobrou para o governo Alckmin. Nesse sentido, é fundamental, portanto, um grande salto nas obras até julho/agosto do ano que vem. Para que as diferenças políticas, que nunca ajudam, atrapalhem menos. * FELIPE ASTORIAN - jornalista econômico e pesquisador do Grupo de Análise de Impacto e Formação de Memória (Grim) Copa2014/Olimpíada2016