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ARTIGO
Quinta-feira, 31 de Julho de 2014, 20h:01

ADILSON ROSA

Quero que me esqueçam

O ator Francisco Cuoco, que completa em novembro deste ano 81 anos, anunciou que vai se aposentar. Uma decisão até certo ponto incomum entre os atores nacionais que trabalham até morrer. Especialistas dizem que muitas estrelas brasileiras sofrem de uma espécie de abstinência de fama, onde não consegue ficar sem aparecer nas badaladas páginas sociais, serem reconhecidos nas ruas. Isso acontece por aqui. Nos países nórdicos a situação é inversa. As pessoas trabalham e assim que podem se aposentam. Isso para famosos e não famosos. A decisão do extinto grupo Abba ilustra a situação. Convidados para receber um bilhão de dólares – tipo 2,2 bilhões de reais – para uma nova turnê, eles responderam um sonoro não, pois “tem mais coisas para fazer”. O ex-piloto de fórmula 1 Mika Hikonnen ao se aposentar, não quis mais saber de corridas. Ex-pilotos brasileiros não pensam o mesmo e estão sempre aparecendo na mídia. Dias desses perguntei a um amigo sobre a cantora Cyndi Lauper e recebi como resposta que ela tinha dado um tempo e estava longe dos palcos. Estranhei, mas depois lembrei-me de que os gringos dão um tempo na carreira para curtir da melhor forma possível. Para os brasileiros isso é um escândalo. Uma situação incompreensível viveu a atriz Ana Paula Arósio que teria recusado um contrato de R$ 1 milhão para atuar numa novela de uma rede de TV aberta. Se a atriz não quer trabalhar, problema pessoal dela. Ana Paula não é obrigada a voltar a ser atriz. Ela tem o direito de viver a vida longe das câmeras. A ex-atriz Lídia Brondi se formou em psicologia e não faz mais novelas. O drama dela é tentar explicar que não quer seguir a carreira de atriz, mas parece que não é compreendida. O tal “me esqueçam”, parece não contentar o brasileiro. Nos outros países, não. A situação é outra. Duplas sertanejas chegam aos 40, 50 anos e acham que estão no início de carreira. Fizeram fortunas, mas não querem perder a fama. Acabam em decadência - ao menos fazem shows por valores até simbólicos nos rincões desse país continental para um público reduzido que muitas vezes não enchem uma lanchonete. Poderiam evitar esse vexame. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16968




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