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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 13 de Junho de 2006, 19h:05

ADRIANA NASCIMENTO

Que quebrem a perna!

Sinceramente fiquei encantada com o banho de variedade e qualidade de espetáculos apresentados no 1º Festival Nacional de Teatro de Cuiabá. Fiz a cobertura e me penitenciei todas as vezes em que consegui assistir a um espetáculo por não ter visto outros que ocorreram em momentos em que eu estava trabalhando ou cuidando dos filhos em casa. Vim de Santos (SP) há 11 anos e, confesso, estava meio sedenta de teatro. Por isso, sempre que há oportunidade vou ver o pouco que Cuiabá oferece. Sim, porque tenho certeza, que nada nos palcos cuiabanos e mato-grossenses será o mesmo, após este ousado evento, organizado e corajosamente implantado pelo mato-grossense grupo Fúria. Digo ousado porque eles não pouparam esforços (ao contrário dos poderes públicos e da maioria dos empresários mato-grossenses que pouco contribuíram financeiramente com o evento) para trazer uma gama de variedades de estilos ao público de Mato Grosso concentrado em sua Capital Cuiabá. E todos encantaram adultos e crianças. É o que deu para notar sem entrevistar, incógnita na platéia, com a garganta rouca de gargalhar e a voz sumindo por conta do ar-condicionado congelante das salas do Sesc e da UFMT. E sinto que a emoção não foi somente do público que não teve vergonha de aplaudir em pé a maioria das peças, senão todas, já que só sei das que vi e “só sei que foi assim”, como diria o personagem Chico, do filme O Auto da Compadecida. Tenho certeza que Cuiabá não esquecerá as pantomimas do Fulano e Sicrano, as literais palhaçadas da Turma do Biribinha, o escracho do Ivo 60 com sua Gozolândia, o humor negro de Morgue Story, o sarcasmo e improviso do G7 e tantos outros que tanto contribuíram com a alegria dos cuiabanos. Portanto, tenho algo a pedir ao Fúria - e sei que sou a voz da maioria de quem sorriu e sonhou ao som, atitudes e maturidade teatral que vimos nos palcos nesses últimos dias -: não deixem esse sonho chamado Festival morrer ou decair em qualidade. Coloquem sempre na dosagem certa, como foi nesse primeira vez, o fermento do riso, a farinha do drama e derramem sobre este bolo o leite de grandes autores nacionais ou regionais, pois é de qualidade que se constrói o lazer de um verdadeiro cidadão. Por isso desejo a todos, de todo o coração: Quebrem a perna (que significa ‘tenham sorte’, no meio teatral) e dêem ao público mais uma cena que nos orgulhe no cenário nacional. ADRIANA NASCIMENTO é jornalista

Edição EDIÇÃO 16968




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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