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ARTIGO
Quarta-feira, 02 de Julho de 2008, 20h:38

LORENZO FALCÃO

Quanto foi o jogo?

Prezado leitor ou leitora que me lê: está um a zero pra você! Você sai na minha frente. E saiba o porquê. Eu, tricolor de coração, desde pequenininho, mas não doente, me atrevi a escrever sobre a partida de ontem à noite, cujo resultado já é do seu conhecimento. E isto que lês foi escrito ontem à tarde, algumas horas antes da fatídica partida. Fatídica que eu digo, pode ser do bem ou do mal. Toda partida de futebol, literalmente falando, é fatídica. Noventa minutos ou mais correndo, cansa a beleza de qualquer um. Pois é, portanto, este torcedor do Fluminense autor destas linhas ainda não sabia da merecida vitória, ou sei lá, quem sabe?, do fiasco do time carioca. Mas o Fluminense, êita time esse... Me ensinou e ainda me ensina muitas coisas ao longo da minha vida. Nos tempos em que ele esteve na segunda e depois terceira divisão, definitivamente, aprendi a não sofrer mais demasiadamente por causa do futebol. Se assim não fosse, pudera, teria morrido de tristeza. E aprendi também que a história do ‘tapetão’, da cartolagem, pode não ser nenhuma maravilha da ética, mas que funciona, funciona. Coisas do futebol, mas este tipo de coisa, sinceramente, não deixa ninguém orgulhoso. Essa conversa de mexer os pauzinhos fora de campo pra alterar o que se deu com a bola rolando não tem mesmo nada a ver. Vai contra uma das características mais fascinantes do futebol, que é a imprevisibilidade. Aquilo que torna este esporte tão interessante e mexe com todo mundo. Só que racionalmente falando, em relação ao jogo de ontem, mesmo com uma pulguinha atrás da orelha, me parecia impossível o Fluminense, ao longo dos noventa minutos regulamentares, não desfazer a vantagem de dois gols que a LDU aplicou-nos lá em Quito. É que a campanha do Flu na Libertadores vinha demonstrando uma boa capacidade de recuperação do meu time, mesmo que diante de adversários difíceis como o São Paulo e o Boca Juniors. Veja bem: desfazer a vantagem significa que a partida iria para a prorrogação e depois para a disputa nos pênaltis, se terminasse com o mesmo resultado. Nesse caso, se chegássemos aos pênaltis, apostaria as minhas fichas na vitória tricolor, dada a boa fase do goleiro Fernando Henrique e a predestinação do Renato Gaúcho, nosso técnico, nos momentos decisivos junto ao Fluminense. Não sei se meus leitores pensarão em mim com a cabeça inchada, ou empolgados com a conquista inédita. De uma forma ou de outra, saibam que torci muito até o final, já que não aposto que o resultado tenha sido fácil, nem para o Flu, nem para a LDU. E como sofri! Futebol tem disso também. Quem gosta, quem torce, se envolve, tem lá um tiquinho de masoquismo. Mas algo saudável, nada doentio. Ganhou, beleza... Vamos curtir com a cara dos flamenguistas, vascaínos, botafoguenses e corintianos que torceram contra a gente. Perdeu...? Fazer o quê? Ora, agüentar o tranco e as brincadeiras. Às vezes, inventar que o juiz roubou ou assumir a derrota e partir pra outra! LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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