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ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Abril de 2008, 21h:34

ONOFRE RIBEIRO

Próximos do consenso ambiental

Assisti na última terça-feira à entrevista coletiva do governador Blairo Maggi, que na segunda teve audiências com os ministros do Meio Ambiente, da Agricultura, com o diretor da Polícia Federal e com o presidente da República, sobre as penalizações ambientais que resultaram na operação Arco de Fogo, no estado. Não escrevi ontem sobre os assuntos abordados na entrevista, porque imaginei que precisava refletir mais. Assim, aponto abaixo alguns pontos retirados da entrevista e também algumas reflexões pessoais: 1 – no dia 21 deste mês um grupo de trabalho formado por técnicos do Meio Ambiente, do Ibama, do Inpe, da Embrapa e da Sema, vão discutir o assunto das medições feitas pelos satélites no fim do ano passado, causa de todo o problema atual. O sistema Deter, do Inpe, é que detecta as imagens, e no fim do ano o sistema Prodes faz o resumo. Entre um e outro geram-se as confusões. A partir da reunião do dia 21 começará um novo ciclo de discussões. A partir da crise, ficou claro que o Deter apontou as áreas desmatadas e a Sema as quantificou; 2 – ninguém está embargado em Mato Grosso. Se houver desmatamentos localizados, somente a área desmatada será embargada à produção e à comercialização. Outros casos antigos serão estudados. O governador disse que “ninguém é a favor dos desmatamentos em Mato Grosso. Quem desmatar ilegalmente terá punição exemplar; 3 – os desmatamentos legalizados poderão ocorrer com licenciamento da Sema: 65% nos cerrados e 20% em área de floresta; 4 – o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária, Rui Prado, considera que chega ao fim o “pacote de maldades do governo federal e deverá começar o pacote de bondades”; 5 – o governador queixou-se ao diretor-geral da Polícia Federal sobre as truculências e o espetáculo policial da operação Arco de Fogo no Nortão de Mato Grosso. O diretor mandou chamar o coordenador de operações para baixar a fervura dos policiais; 6 – o presidente da República confessou ao governador Blairo Maggi que acorda todos os dias preocupado com a queda mundial dos preços das commodities, que hoje garantem o superávit da balança comercial brasileira. Na prática, isso significa que o presidente sabe que se matar o agronegócio estará matando a fonte do seu sucesso, que é a política econômica assentada sobre a estabilidade da oferta de alimentos na mesa dos brasileiros e nas exportações, além de garantir a sua popularidade nas camadas populares cobertas pelos programas sociais; 7 – o modelo de controle e fiscalização de desmatamentos de Mato Grosso será usado pelo governo federal como modelo para toda a Amazônia. Por último, parece que depois do tiroteio suicida e ao mesmo tempo messiânico produzido pela ministra do Meio Ambiente, a racionalidade finalmente chega às discussões sobre o meio ambiente, sem os ranços ideológicos dos envelhecidos técnicos do Ibama e as ideologias acadêmicas impregnadas no ministério do Meio Ambiente. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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