ARTIGO
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 23h:34
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JOANICE DE DEUS
Preconceito em shopping
Que direito tem um estabelecimento comercial de impedir o acesso de pessoas por que, segundo seus padrões, não apresentam a aparência apropriada para freqüentar o local. Afinal, o que faz o caráter de uma pessoa? As roupas que ela usa? O jeito que ela fala? Longe de constituir-se uma novidade, a discriminação ou o preconceito não é tema de hoje. É crime previsto na Constituição Federal. Mas ainda, a lei 9.459, de 13.05.1997, prevê em seu artigo 5º pena de um a três anos de reclusão para quem (dono ou empregado) recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador. O objetivo é garantir o tratamento igualitário nos estabelecimentos comerciais. Mas, fico imaginando quantas pessoas simples, humildes, mas honestas, são discriminadas, vigiadas, desrespeitas ou mesmo agredidas quando entram em determinadas lojas, supermercados, boates, restaurantes ou shoppings por fugirem às etiquetas ou por não se enquadrarem a determinadas regras ou etiquetas sociais. Há sempre um segurança vigiando todos os passos. Vigilância que aumenta ainda mais se a pessoa for de classe menos favorecida, não ostentar dinheiro, jóias ou por pertencer a alguma tribo como metaleiros, rappers, hippies e tantas outras. Quantos não são humilhados e desrespeitados. Quantos não se colocaram no lugar do vendedor ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz, que morreu após ser espancando por seguranças dentro de um shopping de Cuiabá. Ele, que tomava um suco na praça de Alimentação com outras duas mulheres, carregava portas-latinhas, trajava roupas simples e um chapéu de abas largas. Hoje fazer compras é apenas um motivo para ir a um shopping center. As facilidades oferecidas como cinemas, restaurantes, farmácias e até universidades atraem cada vez mais pessoas de diferentes idades e classes sociais. E que, contraditoriamente, vão em busca da segurança que não é encontrada nas ruas da cidade. Shopping é um espaço de consumo, público, que há anos caiu no gosto popular. E, é por isso que qualquer pessoa, independente do seu bolso, tem direito de entrar num shopping seja para comprar uma simples bala, chiclete ou suco. JOANICE DE DEUS é repórter