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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 18 de Agosto de 2012, 14h:19

TOCANDO NA 'FERIDA'

Por Mário Marques de Almeida

Cuiabá vivencia, talvez, uma das campanhas eleitorais mais pobres, em termos de propostas consequentes de toda a sua história. Referimo-nos, obviamente, a plataformas consistentes, exequíveis, que não sejam planos mirabolantes, próprios dos chamados "estelionatos" eleitorais e sobre os quais os eleitores precisam, sempre, ficar atentos para não caírem na esparrela. Aliás, no tocante a essa questão, mais do que tudo, vale observar o ditado que nos alerta de que: "canja e cautela não fazem mal algum"... Pelo contrário! O fato é que problemas macros, relevantes para a comunidade como um todo, não estão sendo abordados - sequer superficialmente, que dirá na profundidade requerida! - por nenhum dos seis candidatos a prefeito, seus vices e pela maioria dos postulantes à Câmara de Vereadores. É o caso, por exemplo, da falta de redes de coleta de esgotamento sanitário e as respectivas estações de tratamento, um tema prioritário e que, infelizmente, não está sendo debatido pelos candidatos. Quando deveria estar na linha de frente dos programas de governo. Pelo menos, eu ainda não vi ninguém, nestas eleições, tocar no assunto com propriedade e ênfase, apontando eventuais soluções (se é que existem) para o problema. O que reforça o argumento já antigo de que, além de caras, redes de esgotos, por ficarem enterradas, não dão votos! Fala-se muito em saúde pública nesta campanha, e até em promessa de construção de um novo pronto-socorro. Ótimo que haja essa preocupação! Pois que o setor é realmente uma tragédia, tanto na Capital, como em quase todos os municípios mato-grossenses, com destaque para as cidades situadas no entorno de Cuiabá. O cenário desses centros de atendimento médico - e isto o povo está cansado, mais do que saber, de sofrer - é de campo de batalha em guerras africanas, onde a desorganização, o improviso, a falta de recursos humanos e de equipamentos e espaços físicos, além de medicamentos, é uma rotina macabra e assustadora! Com salas de espera lotadas e pacientes jogados pelo chão! Entretanto, nosso questionamento é o de que a coleta e tratamento sanitário, ou mais bem explicado, a carência desse serviço, na grande maioria dos casos, está na raiz dos problemas que desembocam nas redes públicas de saúde. Logo, de pouco vale atacar o mal na sua ponta, quando se deixa de combatê-lo nas origens. Por oportuno, deveria vir à tona, ao se focar a questão, a triste lembrança de uma Operação fajuta, denominada de Pacenas. Motivada por questiúnculas político-partidárias e que abortou, há cerca de três anos, recursos do PAC destinados para obras nesse setor tão vital e importante para o desenvolvimento social. Mexer nessa "ferida", quando nada, serve de alerta para o fato de que Cuiabá poderia estar melhor aquinhoada nesse quesito se não fosse uma ação eleitoreira, travestida de moralizante e que, tempos depois (e somente após a conclusão de seus objetivos eleitorais) acabou sendo cancelada pela Justiça Federal, por falta de provas. Mas, o "remédio" jurídico chegou tarde demais! Cuiabá ficou, então, sem os recursos do PAC e a sua população sem os benefícios que poderia estar usufruindo. Mário Marques de Almeida é jornalista www.paginaunica.com.br E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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