ARTIGO
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, 20h:37
A
A
ANA ROSA FAGUNDES
Pobres, mas felizes
Países que recebem a Copa do Mundo gastam muito mais dinheiro do que ganham com o mundial. Dinheiro, diga-se de passagem, nosso. É o que mostra uma matéria publicada na Superinteressante deste mês. Quando foi noticiado que o Brasil seria sede da Copa, só festa. Quando Cuiabá foi anunciada como sub-sede, mais festa ainda na cuiabania. Lembro-me da expectativa dos dias que antecederam o anúncio, tudo mundo torcendo, vibrando, alguns já contando vantagem... e de fato conseguimos. Melhor ainda porque ganhamos dos nossos arquirrivais, os sul-mato-grossenses. Felicidade geral. Com Cuiabá sendo sub-sede, novas esperanças, afinal, muitos investimento para a nossa cidade verde. Para começar um estádio novinho em folha. Nosso velho Verdão por terra abaixo para a construção da nova Arena Multiuso (hoje não existe mais estádio de futebol, agora é arena, chique, não?). Duplicação de avenidas, novas ruas e valorização imobiliária. E que valorização! Agorinha o metro quadrado em Cuiabá está mais caro que o de Nova York. Ah, e os turistas que a cidade vai receber. Mais visibilidade para o nosso pantanal. É a Copa do Pantanal! Mas tudo isso tem custos. A nossas custas já foi criada uma Agecopa. Mas isso é pequeno perto dos quase R$ 350 milhões para o nosso novo Verdão. De acordo com a Super, os sul-africanos gastaram seis vezes mais do que era planejado na construção de estádios, em contrapartida, a quantidade de turistas esperados é bem menor do que a prometida pela Fifa. A constatação é de que o país que recebe a Copa não fica mais rico. O gasto com a construção de estádios significa transferência de dinheiro que poderia servir para construir mais escolas, hospitais. Mas a boa notícia é que, apesar de mais pobres, ficaremos mais felizes. A revista mostra uma pesquisa realizada com a população da Europa Ocidental apontando que depois que um país é anfitrião de um torneio como a Copa seus habitantes se declaram mais felizes. E é uma baita felicidade, segundo a pesquisa, alegria igual só quando se recebe aumento de salário. E esse céu sem nuvens permanece por muito tempo: quatro anos depois da Copa, cada grupo de indivíduos pesquisados estava mais feliz do que antes do torneio. O motivo de tanta felicidade seria o sentimento de autoestima da nação por ter organizado o torneio. Nação. Essa palavra ganha novos significados. Ao que parece, sediar uma Copa faz com que os habitantes sintam-se mais conectados uns aos outros. Portanto, se é para a felicidade geral da nação, apesar do alto custo, sediar uma Copa do Mundo vai nos deixar mais felizes! *ANA ROSA FAGUNDES é repórter