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ARTIGO
Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 21h:57

JOSSILENE DA SILVA

Perdemos o endereço

A crise continua em nossos dias, e aparentemente agravada a cada instante, nos levando a acreditar que as criaturas de modo geral estão cada vez sabendo menos pensar para agir e emitir juízos de valores capazes de achar novos caminhos, novas opções, principalmente quando vemos minar nossas energias mais sagradas. Isso tudo nos leva a acreditar que perdemos o endereço de tudo, principalmente o endereço de Deus! Há que pensarmos em distinguir a ética divina da ética materialista para voltarmos ao centro de nossas crenças e posturas, embora reconhecendo essa difícil missão. A primeira há que ser entendida em nossa intimidade a fim de nutrir por completo, posto que ela não se concentra como se fosse a resina da laranja, ou seja, na casca do relacionamento entre as pessoas, e sim no substrato dos sentimentos que contém a laranja, querendo dizer com isso que ela não se traduz como sendo um cadeado que venha aprisionar nas circunstâncias da vida, e sim nos trazer a bagagem capaz de fornecer elementos de libertação, para que cada um de nós, possa assumir, com independência, livre-arbítrio e responsabilidade, a escolha do próprio caminho que nos libertará por derradeiro dessa agonia em que vivemos. Isso tudo, por certo perturba os corações menos avisados, e relembramos aqui as palavras que ouvi do meu genitor quando da passagem de meus aniversários, quando dizia que deveríamos “ser como o sândalo que perfuma o machado que o fere...”. Devo ponderar que não entendia tal colocação, precisou de tempo para, enfim, absorver tamanha orientação! É certo que ninguém vive sem determinados problemas que requerem constante vigilância e determinismo para buscar soluções, mesmo porque supomos constantemente que o peso colocado em nossos ombros é superior às nossas forças. E quando nos sentimos nesse meio termo, lembramos de uma pequena estrofe poética que diz: “A vida é imunda, não presta! Diz alguém por mau costume. A rosa brilha na festa por sustentar-se no estrume!”. Nisso pensando, temos a força necessária para jubilar de vez tanta hipocrisia, tanta corrupção, tanta mentira e tanta desfaçatez que vivenciamos. E a nossa posição diante de tudo isso, diante de tantos desacertos relativamente ao cumprimento daquilo que nos cabe é a de compreensão e nunca condenação e muito menos de puritanismo, sem conviver e pactuar com os equívocos e mentiras que tentam a todo instante impingir. Devemos procurar disseminar os nossos apelos mais íntimos no bom-senso e não no fanatismo das coisas, procurando manter nossos passos sem afetação, sem exageros, sem exaltações líricas ou mesmo passionais, nada de alienação e cegueira. A mensagem de destaque para todos nós é buscar a verdade onde quer que esteja, porque o resto, companheiro, é apenas o folclore da comédia da humanidade, só assim por certo haveremos de transformar a sombra em luz, o desânimo em coragem, o desespero em esperança, por piores que sejam os testemunhos que ainda deveremos dar! Portanto, em nossas mãos, ainda estão os roteiros a serem delineados, pois “a marcha evolutiva é de todos, mas a escolha da estrada é de cada um”! Só assim então encontraremos novamente o endereço de Deus. * JOSSILENE SILVA é voluntária da AME

Edição EDIÇÃO 16965




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