ARTIGO
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010, 20h:03
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JEAN CAMPOS
Pepinos palacianos
Vinte e três é o número de secretarias que compõem a estrutura do Executivo estadual. Onze é o número de partidos que formou a coligação Mato Grosso em Primeiro Lugar, responsável pela reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB). Onze também é o número de partidos que disputam a chefia das 23 pastas que deverão ser mantidas pelo governador após a reforma administrativa programada para o novo mandato, que se inicia em 1º de janeiro. A difícil escolha, conforme vem declarando Silval, não será feita unilateralmente. Barbosa somará esforços com as 11 legendas para montar o novo staff. O PMDB do governador Silval foi um dos doze partidos que ajudou a eleger a sucessora do presidente Lula (PT), Dilma Rousseff (PT). Por uma legenda, o bloco da petista não coincide com o número arrebanhado pelo peemedebista. Em Brasília e em Mato Grosso, presidente e governador passam os últimos dias debruçados em números. Mais que critérios objetivos como um simples cálculo matemático, eles lidam com elementos da subjetividade. Eleitos com robustas coligações, ambos terão, agora, que dar a contrapartida ao engajamento, na campanha, dos partidos aliados. As coisas não estão fáceis nem aqui, nem lá. Dois é o número de pepinos que Dilma e Silval encontraram após a disputa eleitoral. Embora o governador Silval Barbosa assegure que recebeu total autonomia dos partidos e que não sofre nenhum tipo de pressão, o peemedebista se depara, diariamente, com uma sucessão de indiretas que também funcionam como anúncio do que deverá ouvir (se já não estiver ouvindo) nas conversas reservadas com os líderes dos partidos. PR, PT e PP querem ampliar a participação no governo. Cobram, no mínimo, proporcionalidade entre as indicações e a evolução nas urnas. Isso sem contar o PMDB do próprio chefe do Executivo que também não quer ficar para trás. Até o momento, o governador tem mantido uma postura sensata em relação ao assunto. Reconhece que logrou êxito graças ao arco de aliança. Reitera o posicionamento através da frase: quem ajudou a ganhar, ajuda a governar. Mas, será que é possível agradar a gregos e troianos? Setecentos e cinqüenta e nove mil oitocentos e cinco é o número de eleitores que apostaram na proposta de continuidade das ações do governo, referendando a reeleição de Silval Barbosa. Quase três milhões de habitantes, espalhados por 141 municípios mato-grossenses, acompanham, alguns atentos, outros alheios, as mudanças no governo. Dezenove de dezembro é a data da diplomação do governador. O novo staff deve ser anunciado antes desta data. * JEAN CAMPOS é repórter de política