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ARTIGO
Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011, 20h:32

LORENZO FALCÃO

Pensando pensão

Semana passada recebi e-mail com o título ‘olha MT na mídia nacional’. Uma notícia veiculada na Folha de São Paulo sobre a farra com o dinheiro público praticada em MT. Pensões vitalícias que recebem alguns políticos que foram governadores, mesmo que com mandatos-relâmpagos. A matéria, assinada pelo jornalista Rodrigo Vargas, que trabalhou aqui mesmo no DC, coloca em xeque vários caciques da política mato-grossense. O assunto já foi abordado pela comunicação regional, mas a repercussão é diferente, claro, já que a Folha tem uma tiragem infinitamente superior, sem falar na abrangência de todo território brasileiro. É Mato Grosso mal na foto, mais uma vez, por causa das estripulias que são cometidas pela nossa classe política. Essa mesma, que só aparece na mídia nacional queimando o filme. Eu continuo me perguntando quando essa pouca vergonha vai acabar. E acreditando que isso deve acontecer um dia. Sempre digo que as forças políticas em Mato Grosso são extremamente conservadoras. Então, se são eles mesmos (nossos políticos) que detêm os direitos de mexer, de alterar as leis, como se tornaria possível acabar com essa bandalheira? Bom, a OAB/MT foi ouvida na matéria do Rodrigo e o presidente, Claudio Stabile, informou que, além de interromper as tais pensões vitalícias, o dinheiro que já foi pago, em desacordo com a legislação, deveria ser devolvido. Também registra a reportagem, que expõe o caráter (ou falta dele) de alguns dos nossos homens públicos, que a lei estadual que previa esse tipo de benefício, foi extinta em 2003. E o Supremo Tribunal Federal considera inconstitucional, desde 2007, as famigeradas pensões. É hora de emplacar mais uma questão: Porque esses benefícios continuam sendo pagos? Nos tempos em que trabalhei na Assembléia Legislativa, lembro-me bem, que quando surgiam impasses dessa natureza, o questionamento era feito por um ou outro parlamentar, um pouco ou muito mais decente do que aqueles que se beneficiam com essa prerrogativa vergonhosa. Uma vez, um deputado de cara lambida, sugeriu que não era algo ilegal. O deputado mais decente retrucou: não é ilegal, mas é imoral. Não sou expert no direito, mas se a lei estadual e o STF condenam as pensões vitalícias aos ex-governadores, quer me parecer que hoje, além de imoral, os benefícios são também ilegais. E quem não age de acordo com a lei... Era isso aí, gente. Me desculpem os incomodados. Eles que se mudem, ou mudem a postura. Mas é que eu precisava demais dizer isso. E tenho dito. Pau no lombo do político que pratica ou compactua com essas coisas. Coloco o dedão na ferida, que também dói em mim. Há prazer em denunciar falcatruas e/ou comentá-las. Mas há uma dúvida maior superando esse prazer. Até quando seremos obrigados a conviver com essa embromação? LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário

Edição EDIÇÃO 16962




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