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ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2014, 19h:57

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Pelo em ovo

A julgar por notícias da mídia local, os investigadores da morte do ex-secretário de estado Vilceu Marchetti estão “buscando pelo em ovo”. Mesmo que sua obrigação seja desconfiar de tudo e de todos, uma dose de bom senso não faria mal a eles. A menos que eu esteja mal informado, não há ali a menor possibilidade de outra leitura do crime. A ideia de motivação política não combina com os fatos. O caseiro que o matou, se a suspeita de morte encomendada como queima de arquivo prosperar, seria a pessoa mais idiota do mundo. Ele ganha uns trocos para fazer o serviço e fica lá esperando a polícia chegar, confessando o crime sem se importar com a iminente prisão e consequente condenação. Se fosse planejado não seria melhor ele ter pensado em uma rota de fuga, deixando a mulher encarregada de dar a versão que deu, no mínimo para escapar do flagrante? Lembram-se do caso da morte do PC Farias o tesoureiro do Collor? Todos os indícios apontavam para assassinato seguido de suicídio. A namorada atirou nele e matou-se em seguida. Aí veio o maior especialista brasileiro em “procurar chifre em cabeça de cavalo”, legista George Sanghinetti, criando uma série de explicações para mostrar que houve uma queima de arquivo. Claro que a tese não vingou, mas ele, o legista, ficou dando entrevistas na mídia brasileira por várias semanas. O mesmo Sanguinetti, surgiu de novo à tona com o brutal assassinato cometido pelo casal Nardoni (pai e madrasta) que jogou a menina Isabelle pela janela do prédio. Ele fez a leitura da cena do crime e inocentou os culpados da morte cruel, atribuindo o assassinato a algum pedófilo escondido no prédio. Ainda outra vez o legista foi chamado no caso do goleiro Bruno, assassino junto com outros comparsas de Eliza Samúdio, ex-namorada do atleta. Como se esperava ele foi contra tudo o que estava investigado e consolidado, afirmando que o jogador era inocente. Por último, por enquanto, ele atuou no caso do garoto, filho de policiais em São Paulo e a despeito de todos os veementes indícios, circunstâncias, filmagens e depoimentos garantiu que não foi o menino Marcelo que assassinou os pais e tias. Cada uma dessas aparições deu-lhe fama, mesmo que pelo avesso, ficando conhecido nacionalmente. Ainda bem que a justiça não tem engolido as teses vendidas pelo ilustre médico. Sugiro chamá-lo. Para alimentar fantasias não há outro mais indicado. Claro que não vai dar em nada, como não deu nos casos citados acima, mas oferecerá assunto para mídia por algum tempo e colocará em evidência os investigadores do crime. Por certo ele vai garantir, dependendo de quem o contratar, que o caseiro foi pago por algum político para eliminar o secretário e que a confissão rápida fazia parte do plano. Sobre a inexplicável exposição ao flagrante, dirá que o assassino estava mesmo cansado das lidas rurais e queria passar uns anos de folga na cadeia. *RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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