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ARTIGO
Sexta-feira, 27 de Março de 2009, 21h:04

VICENTE VUOLO

Pela ética na política

Na recente pesquisa feita sobre quais instituições mereceriam maior credibilidade no Brasil, os políticos ficaram em último lugar. O sentimento manifestado pela nossa sociedade foi de indignação diante dos níveis intoleráveis a que chegou a falta de ética na política brasileira. Escândalos e promessas não cumpridas foram os itens mais reclamados. Não tenho a intenção de me tornar um paladino da ética. Pretendo apenas chamar a atenção da nossa sofrida população sobre o fato de que fazer política nem sempre é necessariamente fazer o bem. Aliás, essa verdade é tão antiga quanto a obra de Maquiavel. Por outro lado, todos nós – quer queiramos ou não – dependemos da política e, por isso, temos que participar e cobrar ações concretas. Lembre-se de que Hitler levou a Alemanha a uma guerra mundial. Um presidente pode levar um país à desgraça ou à felicidade. Se temos bons políticos, teremos bons governos. A questão da corrupção não existe só em nosso País. Antes de tudo, é um problema histórico. As palavras dos profetas bíblicos mostram que a maldade, a desonestidade e a corrupção são problemas humanos, em todos os tempos, lugares e culturas. Isaías, o mais famoso e importante profeta de Israel, que profetizou a vinda do Messias 700 anos antes (altamente preocupado com questões sociais e políticas) ao descrever a realidade do seu tempo denunciou Jerusalém, dizendo: “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões, cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas“. Então, até que ponto a política é compatível com a ética? A política pode ser eficiente se incorporar a ética? Há quem considere que ética e política são como água e vinho: não se misturam. Os defensores dessa tese adotam uma postura que nega qualquer vínculo da política com a moral, ou seja, os fins justificam os meios. É a busca de resultados a qualquer preço, chegar ao poder a todo custo, reduzindo os atos políticos a algo que não resiste a qualquer avaliação moral. O resultado é a degradação do quadro político nacional. O fato é que o Brasil ainda não conseguiu consolidar um sistema partidário responsável e, portanto, apropriado para gerir uma democracia. Os partidos não são reconhecidos pela opinião pública por suas diretrizes e as especificidades de seu programa. O eleitor acaba não votando por convicções partidárias e sim por motivações pessoais. É a vitória da política do clientelismo e do político ligado aos interesses de grupos que financiam a sua eleição. Por tudo isso não podemos cruzar os braços. Precisamos de uma reforma política séria e abrangente. O financiamento público de campanha, fidelidade partidária, fim das coligações nas eleições proporcionais, voto distrital são temas, entre outros, que precisam da aprovação já para as próximas eleições. Enfim, temos que lutar por políticas públicas que façam, de fato, o país avançar. Ninguém pode, dentro da democracia em que vivemos, ficar passivo e omisso diante dessa realidade. O nosso povo não deve ser transformado em analfabeto político. O marxista Bertolt Brecht, destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX, cujos trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, disse que “O pior analfabeto é o analfabeto político: ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, ladrão, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais“. * VICENTE VUOLO é economista, ex-vereador de Cuiabá e assessor parlamentar do senado federal [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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