Todos os dias, milhões de reais são jogados no lixo, literalmente. Papel, plástico, vidro, pedaço de metal, pneu, entre outros produtos que, à primeira vista, não têm valor nenhum, são arremessados sabe lá aonde. A história é a mesma. O indivíduo adquire algum objeto, usa o que comprou e joga a embalagem fora. Se for nas ruas, o lixo vai para o bueiro. Se for no mato, vai para os rios. Se for para a lixeira, e tiver sorte de ser recolhido pelo gari, vai para um lixão. Aterros sanitários são lendas, não só em Cuiabá, mas no Brasil. O melhor nome é enterro sanitário, é a morte do solo, do meio ambiente. Assim como as pessoas vão ao shopping, parque de diversões, para a balada, elas também deveriam visitar um lixão. Iriam se impressionar. Primeiro com o odor, restos de comida, de embalagens, seringas, tecidos, tudo está ali. O mau cheiro de todos os objetos descartados é misturado e forma um composto só. Depois são os animais, principalmente os abutres, percorrendo de um lado ao outro. Se conseguir ficar mais tempo, é possível ver ratos ou cães. Ao caminhar pelo lixão, os seus calçados irão se impregnar de uma lama horrenda, mesmo que não tenha chovido no dia anterior. Esse é o famoso chorume, um líquido putrefato, altamente tóxico e que não tem tratamento correto, mesmo o poder público dizendo o contrário. Ao caminhar nessa área, entenderá como seu lixo é tratado. Ah... outro ponto, é possível também ver mulheres e crianças catando o que você arremessou na semana passada. Centenas de famílias tiram o sustento do lixo. Apesar de ser pouco dinheiro, é honesto e capaz de comprar carne (de frango, porque a bovina está cara) e leite. Assim como existem pessoas que se tocam só depois de perder dinheiro (pagamento de multas de trânsito é o bom exemplo), há gente que só dará valor ao lixo quando tiver que pagar uma taxa, ou melhor, quando for remunerado. Não é possível mudar toda essa situação de um dia para o outro, por isso, a separação do lixo já é um começo. Depois, bom... depois vem a dificuldade. Pressionar o poder público para colocar isso como prioridade, verificar se há cooperativas de catadores que reciclam, etc. Existem empresas que compram óleo de cozinha usado e latas de alumínio. Vender é uma saída, mas não é o suficiente. Precisa-se de mais, muito mais. Porém, o importante é começar. FERNANDO DUARTE é repórter
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