ARTIGO
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013, 21h:15
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HELSON FRANÇA
Passa rápido
Sempre escutei que a vida passa rápido, e que por isso devemos aproveitá-la, valorizando os bons momentos. Dei-me conta dessa obviedade dia desses, quando me perdi em algumas lembranças. Lembro-me quando estava em uma ilha numa região montanhosa da Bolívia, situada no lago Titicaca o mais alto do mundo. Junto de mais dois amigos, resolvemos explorá-la, cruzando-a de norte a sul, a pé. Uma caminhada cheia de subidas nos esperava. Não conhecíamos o local, pois havíamos chegado um dia antes, e nem sabíamos a distância a enfrentar. Despertamo-nos junto com o nascer do sol e fomos para a trilha. A cada passo, ficava cada vez mais difícil identificar o caminho. Não demorou muito para nos vermos perdidos. Recordo-me de algumas cenas com nitidez: um muro de pedras que separava a estrada de uma propriedade rural, como se fosse uma minimuralha da China, que parecia estar lá há milhares de anos. A vista do cume era tão distante, que parecia não se alterar à medida que subíamos e as horas passavam. Seguimos, mais na base da intuição do que em qualquer coisa, como alguma indicação. Quando já haviam se passado das 10h, fomos nos aproximando do alto. Foi faltando ar. Aí, de repente, chegamos ao topo e a paisagem se abriu, e deu para ver o lindo horizonte lá longe, bem depois do fim da montanha. E percebi que a montanha nem era tão grande assim, que ela acabaria num instante. Suspirei aliviado, pois dali para frente eram só descida e vento no rosto. Foi, literalmente, o ponto alto da viagem, do qual sempre me recordarei. E passou rápido. Creio que na vida seja mais ou menos assim para a maioria das pessoas. Só que, ao invés de montanhas, obrigações a cumprir, para depois ter alguns momentos de alívio. A vida passa depressa. Cada um escolhe seu propósito nesta curta vida. Penso, no entanto, que seria bom mantermos vivas as ideias nas quais acreditamos, empurrando-as para frente com a ajuda de quem caminha ao nosso lado, ajudando nossos companheiros de caminhada a continuarem a subida. Para além disso, só resta torcer para que haja alguém vindo atrás para nos substituir quando nossa montanha acabar. HELSON FRANÇA é repórter