NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 23h:40

LUIS F. S. R. FILHO

Para os que estão chegando a MT

O Estado de Mato Grosso possui uma história rica e interessante, no que respeita ao povoamento do seu território. Encerrado o ciclo aventureiro dos bandeirantes, nossas fronteiras, ultrapassavam os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas. Esplêndida herança recebida de Portugal e Espanha, de Adão e Eva, assim comentava maliciosamente o irreverente Francisco I. Será interessante e enriquecedor aos novos migrantes, aos que aqui estão chegando, ocupando a região denominada Nortão, conhecer a saga da colonização do Leste e Médio-Norte mato-grossense em épocas passadas. A ocupação foi registrada com detalhes minuciosos no livro Caçadores de Diamantes, cuja autoria é do meu pai, o médico Dr. Luiz Felipe Sabóia Ribeiro. A referida obra é citada na Enciclopédia Britânica, como Livro referencial na procura e descoberta do diamante no Brasil. Quase sempre, o aproveitamento do solo brasileiro tem o garimpeiro, com a sua costumeira audácia, precedendo, por mais de um século, o agricultor e o criador de gado. A ocupação do Leste e Médio-Norte do Mato Grosso foi um movimento anônimo, um verdadeiro trabalho de formiga. Não teve o reclame dos jornais, nem despertou de leve o interesse dos governantes. Processou-se em ritmo frenético e crescente. Na realidade, foi um transladamento interno de populações sertanejas, principalmente a nordestina, num verdadeiro êxodo nacional em direção aos garimpeiros mato-grossenses. Aqui os nossos caboclos, principalmente baiano e maranhenses, sem o alarde da corrida californiana, plantaram cidades como Alto Paraguai, Nortelândia, Barra do Bugres, Arenápolis, Diamantino, todas localizadas no Médio-Norte. No Leste, fundaram Rondonópolis, Guiaratinga, Poxoréu. Por força da nova divisão territorial estadual, estas são consideradas cidades do Sul do Estado. A criação destas urbes fechou, com energia e desassombro dos garimpeiros contemporâneos, a epopéia gloriosa dos bandeirantes dos séculos XVII e XVIII. Podemos comparar a ocupação do Médio-Norte e Leste, do nosso Estado, através do diamante, ao povoamento de Minas Gerais ao tempo das esmeraldas ou ao desbravamento da Amazônia, nos velhos e áureos florescimentos dos seringais pela bravura nordestina. O historiador de amanhã ficará assombrado ao conhecer a bravura dos modestos semeadores de cidades, em recônditos inóspitos somente percorridos por Xavantes e Bororos. Os semeadores destas regiões mato-grossenses aqui se integram, criaram raízes e respeito de todos; pessoas simples no trato, não possuíam a arrogância e audácia dos que aqui estão chegando. Comparo Mato Grosso à cidade - Estado de Atenas, pois esta acabava sempre colonizando os seus pretensos colonizadores ou invasores. Thomas Burkle, um inglês esnobe, com formação sociológica teve o desplante em dizer que no Brasil tudo é grande, exceto o Homem. Para desmentí-lo, sirvam os testemunhos do drama bandeirantes, a penetração nordestina na Amazônia pela borracha, a procura da esmeralda em Minas Gerais e a jornada diamanteira no hinterland brasileiro. A saúde, a falta de educação, profilaxia rural, má alimentação ainda continuam existindo em muitas regiões de nosso Estado. Para substituir essas condições básicas, só mesmo a valentia do garimpeiro, dado que, em nossa terra, eles são os verdadeiros desbravadores e semeadores de cidades. Mato Grosso deve muito a estes heróis anônimos, que, vez por outra, são perturbados com políticas ambientais de resultados duvidosos, e, quase sempre, o interesse estrangeiro está por traz. Meu pai, dizia que, inúmeras vezes, foi testemunha ocular da chegada em Poxoréu, na década de 30/40, de famílias nordestinas. Aqui chegavam maltrapilhas, crianças e jovens esquálidos e desnutridas. Posteriormente, deram origem a troncos familiares importantes em Mato Grosso. Esta é a saga dos que aqui chegaram, nada pediram, deram tudo de si, e construíram um Mato Grosso verdadeiro. Esperamos que sirva de lição e exemplo aos que agora estão chegando em Mato Grosso à colonização do Leste e Médio-Norte mato-grossense. * LUIS FELIPE SABÓIA RIBEIRO FILHO é presidente da Sociedade Beneficente da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá-MT, médico cirurgião da Santa Casa e Professor de Medicina da UFMT

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL