ARTIGO
Terça-feira, 08 de Novembro de 2011, 20h:10
A
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DAFNE SPOLTI
Para não esquecer
Da última vez em que passei por Lucas do Rio Verde, fiquei espantada com a organização do município. Pude ver da estrada como aquele é um local estruturado. Tapetes verdes de um lado e de outro e gigantes silos que, vistos de cima, devem parecer pecinhas de uma maquete toda bem-feitinha. Gente, que gracinha! Lucas do Rio Verde agora está em primeiro lugar no ranking dos municípios mato-grossenses com melhor desenvolvimento, de acordo com o Índice Firjan. Não consigo definir muito bem esse tal desenvolvimento, tão relativo. Mas é fato que a pesquisa utilizou como base os medidores de educação, saúde, emprego e renda em 2009. Lucas do Rio Verde ficou nacionalmente em 8º lugar com 0,946, num índice que varia de 0 a 1. Porém, a cidade precisa da nossa preocupação e não das glórias de vencedora porque este primeiro lugar no ranking se refere a uma cidade em que as pessoas têm comido, bebido e respirado veneno. É uma situação bastante complicada. Em 2009, de acordo com uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foram utilizados 5.162.029 litros de agrotóxicos, para uma plantação de 410 mil hectares de soja e milho, o que deixou cada pessoa exposta a 114,37 litros. Todas as amostras de leite materno estavam contaminadas com algum nível/tipo de biocida. Os venenos podem entrar no organismo até pelos poros. De acordo com pesquisas feitas pela Fiocruz, animais em contato com agrotóxicos desenvolveram tumores e deformações, o que pode acontecer também aos seres humanos. Seguindo Lucas do Rio Verde, estão em 2º e 3º lugares no Estado os municípios de Primavera do Leste e Sorriso, respectivamente. Imagino que também esses locais devam ter uma boa dose de agrotóxicos. Mais preocupação! A pesquisa pode ter lá sua razão com o desenvolvimento dela. Até é possível entender que as cidades-polos do agronegócio em Mato Grosso sejam as que têm melhor tipo de estrutura. Mas isso não vale nada. Esse desenvolvimento está com muito mais cara de adoecimento e retrocesso. Por favor, vamos ficar com o Pantanal, a Amazônia, o Cerrado. Os povos precisam sobreviver. Se as cidades avançarem para o estágio de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste, iremos morrer mais rapidamente. Dependemos de um meio para viver. Um lugar que tenha ar, alimentos, água, chão/terra. Isso é sério! DAFNE SPOLTI é repórter