Aconteceu no último final de semana, na cidade do Panamá, a XXXI Assembleia Ordinária do Parlamento Latino Americano. A última reunião do Parlatino do presente ano. A reunião aconteceu na sede do Parlatino. Um imponente prédio situado às margens do Oceano Pacífico. Na pauta, foram debatidos e aprovadas matérias de interesse comum dos países que integram esse parlamento como: Projetos de Resolução - luta contra a epidemia do Ebola, eficiência energética, questões indígena e da reestruturação da dívida soberana, combate às drogas e desenvolvimento sustentável; Declarações - de Havana, de Cartagena, Mudança Climática, Direito à Alimentação e do Panamá; Projetos de Lei Marco Recursos Genéticos, Prevenção e Sanção de abuso sexual contra meninos e meninas, contra violência e crime, áreas protegidas, dupla tributação e democracia comum; e por último, a reforma do Estatuto. Pelo que percebi, nesse Encontro e nos demais em Havana, Cidade do México, Brasília e Aruba, existe um enorme sentimento integracionista latino-americano e caribenho na defesa da justiça, no combate à corrupção e no respeito à democracia. Afinal, conforme bem disse o Ministro de Desenvolvimento Social Alcibíades Vasquez (Panamá), todos os países Latino-americanos têm em comum a conquista europeia. A escolha da sede na capital panamenha se justifica pela sua posição geográfica, grande centro financeiro, corporativo, cultural e econômico, sendo classificada, por isso, como uma cidade-beta. A cidade do Panamá foi fundada em 1519, pelo conquistador espanhol Pedro Arias Dávila. É uma das mais antigas da América. Em 1671, a cidade foi parcialmente destruída por um incêndio, provocado pelo pirata Henry Morgan, que saqueou e ateou fogo na localidade. As ruínas agora são uma atração turística popular, conhecida como Panamá Viejo. Em 1673, a cidade renasceu em uma península distante 8 quilômetros da estrutura original. Hoje, esse local é conhecido como Casco Viejo, repleta de casarões em estilo neoclássico totalmente revitalizados transformando a região num atrativo gastronômico, cultural, comercial e turístico. Ali está localizada a residência oficial do presidente da República. A construção do Canal do Panamá foi de grande benefício para a infraestrutura e modernização da cidade. A França começou a construir o canal em 1881, mas teve que parar devido a problemas de engenharia e pela alta taxa de mortalidade de trabalhadores por doenças tropicais. Os Estados Unidos assumiram o projeto em 1904 e levaram uma década para concluir o canal, que foi inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914. As mudanças que surgiram na nova cidade do Panamá são impressionantes, vistas pelos edifícios de 60, 70 e 80 andares, com arquitetura tão moderna quanto aos prédios de Dubai. Mais um exemplo, que se une aos demais que tenho relatado aqui, de aproveitamento de potenciais locais para transformar uma região em polo turístico e de serviços. Um país com pouco mais de 3,5 milhões de habitantes, com uma legislação desburocratizada e com impostos baixos, atrai cada vez mais capitais que queiram fundar empresas, gerando empregos e renda. A qualidade dos serviços no Panamá produz um turismo de nível elevado, atraindo contingentes cada vez maiores de turistas internacionais. Acrescente-se a isso a política de atração aposentados. O país tem leis que facilitam a migração de aposentados e quem tenha interesse em investir no país. Por isso passou a ser conhecido como um bom lugar para se aposentar. Um ponto a mais para a criatividade do país. Com isso ganham novos turistas permanentes e atraem capitais. O Panamá é um bom exemplo de planejamento de médio e longo prazos. A criatividade e a vontade política se uniram para criar programas governamentais que têm gerado empregos e renda. Mais um caso que podemos trazer para o conjunto de boas referências para nos animar a fazer parecido e transformar Mato Grosso em um polo de atração de novos empreendimentos e novos capitais. *VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo do Senado Federal.
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