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ARTIGO
Sexta-feira, 08 de Junho de 2012, 20h:44

ADILSON ROSA

País do blablablá

Tem coisas que só ficam na teoria, pois na prática a situação é outra e ninguém sabe por que se fala tanto e nada se faz. No papel tudo lindo e maravilhoso no Brasil, mas a realidade é nua e crua. Um desses exemplos é o tal investimento em infraestrutura cantado em verso e prosa esculpido em bronze. Até agora, tudo não passa de papo furado. Se os burocratas querem colocar a ideia em ação, minha sugestão é começar a construção de estradas em Mato Grosso o maior produtor nacional de grãos e carne e tem somente a BR-163, de pista simples esburacada para transportar mais de 20 milhões de toneladas de milho e soja. Aliás, o mundo tem que saber que na mesma proporção que o Brasil aumenta sua safra, não consegue investir em estradas para escoar essa produção. Dias desses a Famato e a Acrimat mostraram através do Canal Rural a realidade das estradas no noroeste do Estado, região de Cotriguaçu. Região rica, com milhões de cabeças de gado e tem um carriador – nome popular de uma estrada de chão no sertão – onde passam caminhões carregados de bovinos. As ótimas reportagens, infelizmente foram vistas por poucos. As duas entidades tinham que ser mais audaciosas – chamar a rede CNN e mostrar para o mundo o que é o Brasil. Assim, o mundo ficaria sabendo que por aqui tudo se produz e tudo se encarece por falta de infraestrutura e, principalmente, se perde muito porque o governo não faz o chamado dever de casa que é escoar a produção que cresce a cada dia. E mais, quem tem que construir estradas não é o governo estadual e sim federal que criou a chamada Lei Kandir que não deixa o imposto para o Estado. Os governadores abrangidos pela lei são obrigados a viajar de pires na mão até a Capital Federal – exigindo o que é deles. Enquanto vivermos num país de faz de conta – onde os governantes prometem um mundo lindo e maravilhoso conforme os manuais de boa administração – e ano após ano fica tudo como está. Parece que quanto mais a crise aperta, mais bonitas soam as palavras – e não as obras. Termino esse artigo com mais uma pergunta: até quando? ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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