NA HORA
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ARTIGO
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008, 22h:05

CLÁUDIO OLIVEIRA

Overdose de Sodré

“Tudo é passível de complexificação”. Quem disse isso foi o francês Edgar Morin, um dos maiores pensadores do século passado, ainda vivo e prestes a completar 87 anos. Na quinta-feira, Dia dos Namorados, participei de um seminário proposto pelo dr. Juan Felipe Mederos no curso de Filosofia na UFMT. A idéia central era analisar o livro de poemas de Antonio Sodré à luz do construtivismo da Bauhaus e da estética. Com a presença ilustre do poeta expusemos diversas visões sobre a obra. Sandro Lucose (Teatro Mosaico) fez uma leitura pelo viés dramático; Angela Fontana à luz das Letras, destacou que a poesia é a pele que veste o pensamento do poeta; Marli Barboza fez uma leitura da alma feminina do poeta e da estrutura do livro, o suporte; Ana Paula Santana abordou os aspectos visuais e os links que podiam ser traçados com o cinema, e tudo isso antes da minha fala. Encarar uma platéia tão qualificada como estudantes universitários de filosofia depois de ótimas elucubrações realmente não foi uma tarefa fácil. Sodré tem uma vida inteira dedicada à poesia que transborda estilos diferentes e abarca o sentimento da pós-modernidade fragmentada e múltipla. “Seria muito fácil/ Se não fosse tão físsil”, escreveu em uma poesia, um refúgio nas palavras do poeta da transmutação, este ser mutante que fissura as palavras e multiplica os sentidos. A Bauhaus fundou o design moderno associando as Belas-Artes com o Artesanato, tornando-se uma escola de arquitetura copiada no mundo todo. O propósito da escola sempre foi a utilidade e na maioria das vezes encaramos a poesia como supérflua. Contudo, o poeta é um tanto visionário, é um profeta do seu tempo que lê o mundo através do sentimento e consegue vestir o pensamento como bem disse a Angela. Foi uma overdose de Sodré. Os alunos leram e comentaram suas percepções e nós acrescentamos as nossas, sendo que depois de mim veio o Lionês Santos (filósofo) para complexificar um pouco mais. O autor ganhou interlocutores para completar a sua obra, mentes prenhes de sentido e compreensões. Nada mais útil, portanto! O livro está esgotado, seu sentido, porém está fertilizado em inúmeras possibilidades nas nossas cabeças, eternizado pela celulose. Para fechar um Haicai: “LANÇAS FINAS DE CHUVA,/DILACERAM.../LENÇÓIS BRANCOS NO VARAL!”. Obrigado, poeta, por suas futilidades! CLÁUDIO OLIVEIRA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16968




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