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ARTIGO
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010, 19h:21

PAULO HAYASHI JR.

Os cupins da alma

Fico a imaginar que muitas dificuldades que temos em nossas vidas são devido as nossas próprias imperfeições e “furos” de nosso caráter. Não somos perfeitos, muito menos revestidos de um verniz divino que nos proteja ou nos torne especiais frente as outras pessoas a ponto de merecermos tratamento diferenciado. Portanto, o destino não pode nos privilegiar além daquilo que fazemos por merecer. Ou seja, somos livres em nossos atos, mas totalmente responsáveis pelos frutos dessas ações. Assim, nada mais justo de colhermos aquilo que semearmos em algum momento de nossa vida. O mundo é um grande espelho! Além disso, se é justo que colhemos aquilo que plantamos, também o é de não colhermos aquilo que não plantamos. Assim, do nada nada se cria. Muitas pessoas esperam “milagres” sem nada fazer e nada contribuir. Precisamos assim, visando um destino feliz, não apenas evitar a semeadura ruim, como também de trabalharmos para a caridade, a bondade natural e a humildade. Precisamos combater o egoísmo e o orgulho, a indolência e todos os outros vícios que minam e acabam por fazer ruir a nossa casa física e mental. Podemos comparar esses vícios como sendo pequenos cupins que infestam a nossa alma, pois esses são pequenos insetos que estragam a substância de dentro para fora. Todavia, somos nós que damos passagem aos pequenos vícios que parecem não ter mal nenhum. Um pequeno atraso aqui, uma insinceridade ali, uma alfinetada sem que ninguém “perceba” e, de buraco em buraco, vamos nos enfraquecendo. Os cupins vão se multiplicando e a nossa luz diminuindo. Deste modo, precisamos aprender a combater tais viciações e a livrar a nossa casa, o nosso templo íntimo e precioso, destas pequenas imperfeições. É pelo acúmulo de pequenas melhorias em nossas virtudes que passaremos a ser reconhecidos pela nossa consciência mais íntima e imparcial de que estamos no caminho certo do progresso e da evolução. Bem-aventurados aqueles que sabem cuidar de si com amor à verdade e com a verdade do amor, pois apenas quem passa a cuidar com diligência e presteza da própria casa pode um dia deixar de ter “teto de vidro”, manejando com sabedoria as escolhas do “destino” para assim ter colheita abundante de felicidade. Nada mais lógico, nada mais justo. PAULO HAYASHI JR. é Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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