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ARTIGO
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010, 20h:53

CESAR VANUCCI

Os catastrofistas quebraram a cara

Os catastrofistas de plantão, incluídos obviamente entre eles alguns colunistas econômicos e políticos renomados, que dispõem de espaço permanente na mídia, quebraram a cara outra vez. As previsões agourentas que se arriscam passionalmente a fazer sobre as perspectivas econômicas brasileiras sempre que os resultados eleitorais se lhes saem desfavoráveis estão sendo novamente reduzidas a estilhaços. Repete-se, assim, depois da escolha de Dilma Roussef, o que aconteceu, em anos anteriores, após as eleições consecutivas de Luiz Inácio Lula da Silva para Presidente. Nem o mais tênue sinal no horizonte das turbulências pré-anunciadas. Nada do desassossego externo “provocado” pela “falta de confiança” que se dizia existir por ai afora na ação dos futuros detentores do poder. Nada da “temida” instabilidade econômica interna “decorrente” dos alardeados “despreparo e inaptidão” da candidata vitoriosa. Muito antes, pelo contrário. O que se está a ver contrapõe-se de forma cabal e inequívoca à toarda de maus presságios derivada desses segmentos despojados de sensibilidade social e de conhecimento das reais potencialidades brasileiras. Uma avassaladora onda de simpatia em todos os continentes envolveu a decisão soberana, processada em termos democráticos irrefutáveis e invejáveis, estabelecida nas urnas pela vontade majoritária da sociedade brasileira. Recente pesquisa da “Bloomberg Global Poll” abrangendo milhares de investidores tradicionais de todos os cantos do planeta confirma a extraordinária receptividade internacional, tão forte agora quanto em anos recentes, ao contrário do que ocorria em passado não muito distante, com relação aos sucessos vividos pelo Brasil nos planos econômico, social e político. Os investidores consultados garantiram estar vendo mais oportunidades e revelaram maior disposição para assumir riscos no mercado brasileiro e em outros mercados emergentes, como a China e Índia, do que em países do assim chamado mundo desenvolvido. O Brasil, na verdade, foi indicado em 31% das entrevistas como o melhor ou um dos dois melhores lugares do globo para a injeção de capitais no ano que vem. Colocou-se ligeiramente atrás apenas da China, apontada por 33% dos entrevistados. O mesmo público consultado pela “Bloomberg” disse, com todas as letras, encarar a recente eleição presidencial brasileira como sinal positivo para investimentos no país. Não deixa de ser interessante ressaltar que a pesquisa global mencionada reservou à maior economia do mundo, ou seja, a economia estadunidense, um decepcionante terceiro lugar entre os piores mercados para se investir em 2011. O Japão e a União Européia alcançaram, pela ordem, na manifestação dos investidores, o primeiro e o segundo lugares nessa indesejável classificação. Muitas das pessoas ouvidas externaram preocupações diante da decisão recente do “Federal Reserve”, banco central dos Estados Unidos, ao adquirir 600 bilhões de dólares em títulos do Tesouro. Robert Schmidt, da “Bloomberg”, informa que esse pacote de compra de títulos gerou acerbas críticas no próprio círculo executivo do Banco Central dos Estados Unidos, sem falar na pronta condenação da medida formulada por autoridades da Europa, Ásia e América Latina, o Brasil em destaque. Para muitos investidores, a política do FED, apontada pelos que a conceberam como um alívio quantitativo por afrouxar a política monetária, ao adquirir quantidades expressivas de títulos em vez de reduzir a taxa de juros, representa um golpe potencialmente perigoso nos mercados. No ver de operadores americanos de “commodities”, ainda de acordo com a mesma fonte, “com o FED lançando dinheiro barato, o dólar continuará caindo e a bolha de “commodities” vai seguir se expandindo.” Outro dado digno de menção nessa consulta entre investidores, que realça positivamente - vale repetir - a atuação econômica brasileira na esfera dos negócios mundiais, diz respeito às expectativas quanto ao comportamento da economia global. Quarenta e quatro por cento dos entrevistados acreditam numa melhora da situação, enquanto 37% apostam na estabilidade e 18% antevêem piora no estado de coisas. * CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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