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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Março de 2008, 14h:10

ONOFRE RIBEIRO

Onofre, 40 anos

Carmem e eu completamos hoje 40 anos casados. Peço permissão ao leitor para compartilhar algumas lembranças de nossa vida juntos. Conhecemo-nos em Brasília, ela com 17 anos incompletos e eu com 20. Casamo-nos em 23 de março de 1968. Ela grávida, sob alguns olhares de censura, mas ambos felizes. Não estávamos nem aí para os olhares ou murmúrios. É a força da juventude. André nasceu em 4 de agosto. Fomos pro hospital na madrugada de domingo num táxi Belcar DKW, ela gemendo a cada solavanco do carro, e eu morrendo de medo. Esquecemos a sacola com roupas. Voltei de ônibus pra buscar. Quando cheguei, ele já tinha nascido. Rosadinho e carinha torta. À tarde no berçário não o reconheci. Era o bebê mais belo de todos! Fábio nasceu em novembro de 1970, loirinho e magrinho. Marcelo em fevereiro de 1975, um gigantão com mais de 4 quilos. Tiago veio temporão e cuiabano. Sete anos depois de Marcelo. Quatro filhos dão todas as alegrias e um monte de preocupações. Mas vencemos todas e três se casaram. André, com Maria do Carmo e nos deram Miguel e Gabriel, ambos discretos e alegres. Fábio, com Aline e nos deram Enzo, um sergipanozinho empenhado em incendiar o mundo com a sua energia infinita. Marcelo, com Daniela, e nos deram Luka, um baianinho sedutor e ótimo negociador dos seus interesses. Tiago namora a Mariana. Nessas lembranças se incluem os primeiros namoros deles, as dores de cotovelo, as incoerências naturais da infância e da adolescência, coisas de pais e de filhos. As lutas para levarem a escola a sério, acordar cedo, não deixar roupa suja no banheiro, não pular em cima da cama, não brigar no quarto, comer com a boca fechada, não gritar por qualquer coisa, não falar palavrão perto de moças, enxugar o vão dos dedos dos pés, escovar direito os dentes, cortar o cabelo, e tantas coisas mais que hoje nos deixam saudades; mas repetiríamos tudo com o mesmo gosto. Carmem sempre foi muito suave e serena. Nunca tivemos briga séria. Um ou outro mal-entendido, que ela sempre soube tratar no tom certo. Orgulho-me profundamente dela. Ela sempre teve a sabedoria de não permitir que misturássemos a nossa vida familiar com a minha vida pública de jornalista. Isso nos livrou de muitos dissabores. Passamos algumas boas crises financeiras, mas não abalaram nossa vida em comum. Ao contrário, construíram a relação forte. Hoje, ela com 60 e eu com 64 anos, ficamos muito tempo juntos. Em 2004, Marcelo resolveu nos deixar num acidente de moto em Salvador. Isso nos fez sofrer demais. Por isso, hoje ficamos mais tempo juntos e vemos a nossa família ainda mais importante, porque precisamos compensar a falta do Marcelo. É impressionante o buraco que fica quando se vai um filho. Aliás, nós já tínhamos a experiência dolorida de ver as camas vazias quando eles se casavam ou iam embora estudar. Mas o buraco definitivo é muito grande. O tempo vai passando e a vida se acomodando novamente. Juntando tudo, esses 40 anos têm sido um tempo de alegrias e de felicidade. De minha parte, me casaria novamente com Carmem, de olhos fechados, com a mesma certeza da felicidade que tivemos nesses 40 anos. Não me vejo sem ela! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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