ARTIGO
Quinta-feira, 05 de Março de 2009, 21h:44
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PAULO RONAN
Olha a mudança aí gente!
O título ai de cima está em forma daqueles gritos de carnaval que tanto empolgam os foliões nos desfiles de escolas de samba. Fica desta forma feita a homenagem à vitória do Salgueiro no Rio de Janeiro, escola tradicional representante da história do samba na cidade, escola-irmã do meu querido Botafogo, time que tem hoje a melhor dupla de ataque do Brasil, Maicosuel e Reinaldo. Interessante que o segundo tem o nome de uma lenda do futebol brasileiro, o nosso maior jogador de todos os tempos, depois de Garrincha e Pelé. Falo de Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei do meu Galo das Alterosas. E não me abordem em mesa de bar e afins com papo de Tostão, Rivelino, Ademir da Guia. Bons, mas tudo depois do Rei. Do Rei de Belo Horizonte. Feita a homenagem, vamos ao texto. Dia desses vi uma charge na revista editada aqui em Cuiabá, Sina (temos de prestar atenção nesta publicação). O chargista, meu amigo, bom como tal, mas tristemente fazendo o paradoxal humor a favor que Millor vive a esculhambar, mostra o Lula ensinado Obama a governar. Tipo, distribui renda etc. Distribuir renda para esta turma são esses programas assistencialistas inventados após a democratização e que Lula marketizou. Ai não tem como não lembrar do Vale Leite, de Sarney, e até do Funrural, do Médici. A turma da grana fica ganhando sem ser incomodada e o orçamento da união perpetuando a paz social. Está proibido falar de luta de classes. Mas não tem como distribuir renda se os que ganham muito não perder um pouco para darem aos que não tem. Não tem jeito de fazer este omelete sem quebrar uma meia dúzia de ovos. Ainda bem que Obama não veio aqui aprender. Resolveu aplicar as mudanças que falava na campanha sem consultar a picaretagem populista ao sul do continente. Tinha três palavras que ouvia bem nos seus discursos para quem só fala em inglês a frase can I have a beer, please para não morrer de sede longe de casa, meu caso. Hope, we can, e to chance. Esperança, podemos e mudar. E está tudo isso na sua primeira proposta orçamentária. Lembremos que o orçamento lá é votado em época diferente daqui, porque o ano fiscal também é diferente. Nada simboliza mais um governo do que sua proposta de orçamento. Já começou não imitando Lula no padrão do ministério. Aqui temos um Lobão de cabelos pintados no Ministério das Minas e Energia. Lá ele preferiu um prêmio Nobel de Física, como lembrou alguém. E foi este sujeito que impregnou de princípios do protocolo de Kyoto a proposta, tabu nos EUA e que nem Clinton (presidente democrata, civilizado e que tocava sax) ousou enfrentar a posição histórica americana de não ceder a qualquer pressão planetista, multilateral, alternativa etc. Tem coisa mais parecida com mudança que isto. Romper uma posição tradicional e arraigada. Sinaliza inclusive com reduções de benefícios à indústria do petróleo numa clara proposição de avançar na produção de energia limpa. Até os republicanos, que tem uma posição mais liberal quanto ao comércio exterior, ousou tanto. Está lá. Obama vai rever os subsídios agrícolas dos produtores com faturamento acima de 500 mil dólares anuais. Obriga estes a se tornarem mais eficientes e com isso protege os pequenos produtores. Sem contar que privilegia o pequeno e ajuda todas as pequenas economias do planeta produtoras de matéria prima. Aposto uma Ação Ordinária do Citibank que Celso Amorim vai inventar que foi Lula que ensinou isto para ele. Acaba com as isenções para os afortunados inventadas no reinado de Bush. Projeta um ousado programa de universalização de saúde. Com isso dá saúde para o pobre nos EUA, coisa que nunca houve e que cansei de discutir aqui que nosso SUS seria invejado por lá. Institui ainda uma prática social pública e compra um briga que ninguém nunca ousou fazê-lo, e está ai a explicação para esta ausência do estado, com a picaretagem das seguradoras privadas de plano de saúde. E ainda amplia a atuação da educação pública e gratuita. Paralelamente a tudo isto, anunciou que vai enfrentar de frente e de forma franca as terceirizações do Ministério da Defesa. Isto significa que a indústria bélica que controla, NASA, Pentágono, Departamento de Estado vai levar uma ré. É esta turma que fez Bush fazer as guerras onde fez fortunas. Alias é esta turma que fez lobbie para acontecer todas as guerras que os EUA entraram depois da Segunda Guerra. Gente surgida no New Deal de Rosevelt e que foi se alimentando de guerras inventadas nos sombrios recantos de Manhatan. * PAULO RONAN é economista