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ARTIGO
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013, 20h:31

ROMILDO GONÇALVES

Oh!, rio Cuiabá: até quando resistirás?

Sem proteção do poder público ou respeito da população humana mato-grossense, o generoso rio Cuiabá tem enfrentado nas últimas décadas um grande dilema! Viver ou morrer? Com desmatamento contínuo de suas margens, pressão antrópica em processo acelerado, cidades e indústrias poluídas lançando sem dó e nem piedade esgotamento in natura em seu leito, ele não resistirá por muito tempo. Histórica e economicamente, todos os mato-grossenses de nascimento e demais brasileiros que aqui aportaram sabem o quanto ele foi, é e será, importante em nossas esse vidas e nunca o contrário. Mesmo sem a devida atenção das autoridades constituídas, o generoso rio Cuiabá insiste em respirar perpetuando a vida, não é mesmo? Para a sociedade humana que há séculos conviveu harmônica e respeitosamente com essa dádiva de Deus, tendo nela sua fonte de lazer, inspiração e principalmente como base alimentar advinda da grandeza de seus recursos naturais, com água límpida, belas praias, pescados sadios...ver tudo isso sendo irreversivelmente destruído é realmente assustador. Não faz muito tempo a vida nesse rio corria solta, era abundante, sadia e saudável em todo o manancial. Pescar belos exemplares de pintados, pacus, dourados, cacharas... No perímetro urbano da capital mato-grossense era algo corriqueiro em toda sua extensão, hoje? Apreciar belas praias com areias brancas e águas límpidas, vegetação nativa cobrindo suas margens, tendo o sarã como fonte básica de alimentos para a ictiofauna nativa era senso comum. Este era sem dúvida um dos graciosos ambientes de contemplação do povo nas dominicais manhãs cuiabanas. Hoje, o que se vê são ambientes totalmente contaminados com lixos domésticos e industriais, esgotos in natura... Que o diga o ex-deputado Sergio Ricardo, que vivia politicamente gritando aos quatros cantos querendo salvar o querido rio Cuiabá. Não conseguiu, acomodou-se e calou-se! Ignorar a situação de deterioração por que passa o rio Cuiabá é contribuir de forma decisiva para o seu agravamento. Como se vê, o rio Cuiabá é hoje mais uma questão de saúde pública do que propriamente um rio de água corrente. Tentar usufruir desse ambiente é contaminar-se dos pés a cabeça com as mais variadas espécies de micróbios, vermes, fungos e bactérias...flutuando livremente na outrora água límpida do generoso rio Cuiabá. Até quando vai prevalecer essa vergonhosa situação? Infelizmente esta é a mais pura, dura e inaceitável realidade por que passa a preciosa fonte de água potável que abastece a capital mato-grossense. Como ficará o abastecimento de água na capital e demais cidades abastecidas por esse rio, ali pelos anos de 2020, 2030, 2050? A prevalecer tal situação, como estará a vida da população humana aqui vivente? Com a palavra, os gestores públicos! Onde estão os poderes constituídos? Cadê a sociedade que não cobra? E também pouco faz! Mato Grosso vivencia desde a década 70 forte pressão antrópica em seus ecossistemas naturais, com taxa média de crescimento demográfico em torno de 6,5% a 7,0% ao ano, sendo a capital mato-grossense o principal foco desta convergência migratória, forçando sobremaneira o desordenamento do crescimento periférico. Por outro lado, tanto o poder público como a iniciativa privada muito têm falado e pouco ou quase nada tem feito para amenizar o impacto humano sobre este valioso rio Cuiabá, que continua caminhando para... E você, o que tem feito como cidadão? *ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e professor-pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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