ARTIGO
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:52
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SONIA FIORI
O triste dilema da saúde
Há pouco tempo escrevi neste espaço sobre a precariedade da saúde pública do país e mais especificamente, sobre a situação de nosso Estado. Agora, infelizmente tenho ainda mais motivos para voltar a criticar nossos gestores, e em especial, o governo federal, por decisões que atingem diretamente a população mais carente. Na semana passada, nossos representantes da bancada federal receberam a informação de que os cortes previstos nas emendas para o Estado, em execução, pegaram de cheio os recursos delineados para a construção do novo hospital Julio Muller da Universidade Federal de Mato Grosso. Dos R$ 14 milhões estimados em emendas de bancada para o hospital no decorrer deste ano, foram salvos aproximadamente R$ 6 milhões, segundo informou o deputado federal Carlos Abicalil (PT). A bancada ainda tenta reduzir os impactos dos cortes sobre as emendas, por meio de reuniões com ministros. No entanto, me chama a atenção o fato de o governo ter inserido, no contexto dos cortes, verba até então dirigida para o setor da saúde. Sabemos que o setor anda debilitado há muito tempo. Então me pergunto: porque não criaram critérios para esse tipo de redução para que dessa forma fossem garantidos recursos para a área da saúde? Simplesmente é desolador saber que mais uma vez a saúde fica em terceiro, quarto ou quinto plano. As notícias de pacientes sem atendimento ou morrendo nas filas parecem nem mesmo chocar nossas autoridades. E mais uma vez volto a indagar... Porque é tão difícil priorizar a saúde, a educação que cá entre nós não vai nada bem basta verificar os índices de aprovação de estudantes que se põe a prova nos vestibulares ofertados por instituições como a UFMT. É um ciclo contrário, mas a educação é tema para outro artigo. Ainda sobre os cortes que atingem o novo Júlio Muller, me desperta a atenção o esforço que vem sendo pontuado, não apenas pela bancada do Estado para reduzir os reflexos negativos, como também a batalha da reitora da UFMT, professora Maria Lúcia Cavalli Neder. A reitora tenta, junto aos vereadores de Cuiabá, assegurar o andamento das obras através de pedido de colaboração dos parlamentares. E sinceramente, torço para que a professora Maria Lúcia obtenha êxito em suas ações, porque significa muito para quem mais precisa. E não podemos esquecer que o hospital Júlio Muller é referência no Estado, tendo inclusive recebido vários prêmios pela qualidade dos serviços prestados à população mato-grossense. Pesquisas apontam para a aprovação do governo do presidente Lula, que cresce a cada dia. No entanto, é bom lembrar que um governo não é feito apenas de segurança do equilíbrio fiscal e de programas sociais. É preciso bem mais... É preciso dar garantias para a população como acesso a saúde de qualidade, é o mínimo que merecemos. SONIA FIORI é jornalista