ARTIGO
Quarta-feira, 25 de Julho de 2012, 21h:44
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HELSON FRANÇA
O tal do Zen
Tenho simpatia pelo estilo de vida oriental. A busca pela elevação da consciência por meio da meditação, o cuidado dedicado à realização das tarefas mais simples - como aparar um jardim -, a noção de disciplina, a beleza dos mantras, a culinária, sabedorias seculares que prezam pela qualidade de vida, como o yoga, e a acupuntura são coisas que despertam a minha atenção. Não sei exatamente como esse interesse se manifestou em mim, nem em que momento exato isso aconteceu. Não tenho parentes orientais, como também nunca estive em terras orientais (mas ainda me aventuro pelas bandas de lá). A identificação, creio, veio em consonância às minhas aspirações de vida. Assim, de maneira natural. E antes que algum engraçadinho se adiante, já respondo: não pretendo virar um monge ermitão. Indo um pouco mais a fundo sobre o zen budismo, me atentei para outras questões, como, por exemplo, que falar sobre zen é a coisa menos "zen" do mundo. No cotidiano, a palavra zen é utilizada para descrever comportamentos, sentimentos e atitudes que não têm nada a ver com zen. Esse tal zen contemporâneo ocidental de hoje em dia é utilizado até por empresas para melhorar a eficiência dos funcionários. Aliás, não existe isso de ser zen: zen não é adjetivo. Mas, afinal, o que é o zen? Para início de conversa, o zen não é uma crença ou uma religião. O zen não vai te dizer nenhuma verdade universal ou te obrigar a aceitar definições sobre tudo. Muito menos sobre coisas com as quais você não se identifica. O zen também não é uma filosofia, embora seja mais próximo de uma filosofia que uma religião. Zen nada mais é que uma prática. Que prática? E para que serve essa prática? Você fica mais calmo? Pega mais mulher? Fica mais inteligente? Mais sábio? É para encontrar respostas?, podem ser algumas perguntas de quem almeja entender a tal da prática. É provável que eu também não tenha entendido ainda o que é o zen, mas isso não me impede de tentar praticá-lo na minha vida. Enfim, para mim, de modo bem pessoal (e possivelmente equivocado) praticar o zen pode ser: acordar cedo, ser ativo, atento, fazer uma coisa de cada vez, se concentrar totalmente no que se está fazendo, exercitar a empatia, valorizar a simplicidade das coisas, não criar dependência de nada e nem de ninguém, prestar atenção na respiração durante as tarefas diárias, comer devagar, ouvir mais e falar menos - e baixo. "E você consegue fazer tudo isso?" alguém pode perguntar. "Não", responderei. Mas tento e, quem sabe um dia?, talvez depois de muito tentar, possa chegar bem perto de conseguir. HELSON FRANÇA é repórter