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ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010, 20h:03

LEVI MACHADO DE OLIVEIRA

O símbolo perfeito

Um grande circo foi armado em torno do que o esquema de sustentação da chapa tucano-demo tem chamado de quebra de sigilo. À parte tratar-se de assunto da esfera eminentemente policial, até agora não se deu a conhecer do fato em si. Ora, uma quebra de sigilo se caracteriza pela comunicação a terceiros de um dado particular, protegido por lei, por parte de alguém que tenha acesso a ele em razão do seu ofício. Esse alguém pode ser um funcionário público, mas pode também ser um funcionário de empresa privada, como seria mais comum no caso de violação de sigilo bancário, por exemplo. E não se sabe ainda, ou pelo menos não se deu a conhecer ao distinto público brasileiro, a quem foi entregue a declaração de bens da filha do candidato ou daqueles outros nomes de tucanos, cujo traço comum é o de serem todos eles envolvidos até a medula com a emenda da reeleição e da entrega do patrimônio público a particulares por meio das privatizações à moda russa – a preço de banana. Se o precioso documento não foi exposto à mídia nem entregue a qualquer outra pessoa, devidamente identificada, não há que se falar em quebra de sigilo. Esse é o fato. A permanecer tal estado de coisas, não houve quebra de sigilo algum. Não há quem consiga, em sã consciência, entender a importância da propalada quebra de sigilo no processo político-eleitoral deste ano, como querem fazer crer os porta-vozes do candidato oposicionista. A declaração oficial de bens da filha ou dos amigos do candidato não pode, de modo algum, servir à sua desmoralização publica. Somente se fosse possível demonstrar que essa ou aquela declaração é falsa por omitir muitos outros bens de propriedade do declarante. Ainda assim se, ao mesmo tempo, pudesse ser demonstrado de forma inequívoca que o próprio candidato estaria envolvido com essas falcatruas. De outro modo, isso não o atingiria. Pai não pode ser responsabilizado por atos de filhos maiores de idade, muito menos por trapaças de amigos que se revelam inescrupulosos. Há no ar, porém, uma suspeita ou uma quase certeza de que o episódio que se quer a todo custo aproveitar contra a candidata da situação, seria apenas a ponta de um icebergue tucano. Envolveria os intestinos de suas próprias disputas internas. Não é de hoje que circulam rumores de como José Serra detonaria a candidatura de Aécio Neves. Quem quiser saber mais sobre o assunto que pergunte a Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro. Achar que o mineiro ia ficar de braços cruzados é fazer pouco caso do neto de Tancredo Neves, em particular, e dos mineiros em geral. Dos tucanos, já foi dito que escolheram o símbolo perfeito. Uma ave de rapina que se finge dócil e inofensiva. Que é capaz do improvável: voar contra todas as previsões da aerodinâmica. Bico enorme, mas oco. Digestão imperfeita. Que come de tudo, principalmente os ovos e filhotes das aves vizinhas. E, de acordo com alguns atentos observadores, ainda tem a habilidade de trapacear. Seria capaz, embora isso não esteja de todo confirmado de, depois de comer os ovos dos pássaros verdes que fazem seus ninhos nos buracos das árvores mortas, colocar no lugar os seus próprios ovos, passando o trabalho de chocá-los às pobres e indefesas aves enganadas. *LEVI MACHADO DE OLIVEIRA é advogado

Edição EDIÇÃO 16962




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