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ARTIGO
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:47

KLEBER LIMA

O Senhor Copa

Dílson Miranda, poeta, escritor e cantor cuiabano, compôs um rasqueado exultando a vinda de jogos da Copa de 2014 para Cuiabá. O jornalista esportivo Darwin Junior criou um site, às suas expensas, intitulado copa no pantanal (www.copanopantanal.com.br) para tratar exclusivamente das notícias acerca da possibilidade, cada dia mais palpável, de Cuiabá vir a ser uma das sedes da Copa. A atriz Totia Meireles aderiu à campanha, vestiu nossa camisa, e amplifica nossas ações. A CDL reuniu vários empresários e fez algumas ações de marketing e propaganda em reforço à campanha oficial. O Shopping Pantanal anunciou que decoraria suas fachadas. A TV Guaporei, de Pontes e Lacerda, se credenciou para cobrir a recepção aos membros da FIFA, ontem e hoje, em Cuiabá. A nossa imprensa em geral tem aberto generosos espaços para divulgar as ações da campanha pró-copa em Cuiabá. Esses são apenas alguns dos inúmeros recortes que podem ser feitos para demonstrar o grau de engajamento da sociedade mato-grossense na campanha para trazer jogos da copa do mundo para Cuiabá. Como há muito não se via, governo do Estado, prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, câmaras, bancada federal, partidos, poderes, todos se uniram como num passe de mágica para falar a mesma língua: queremos a copa em Cuiabá e em Mato Grosso. Sinal de que todos estão assimilando a dimensão de tal acontecimento. Muito mais que um evento esportivo, a copa é um grande negócio, que gera benefícios diretos para a população e muitas oportunidades para todos. Como disse o presidente do comitê pró-copa Yuri Bastos, em artigo no domingo passado, pode-se esperar até R$ 10 bilhões em investimentos no Estado devido ao evento. Há imperfeições e imprecisões na campanha, em diversos aspectos, diriam os mais céticos. Alguns, inclusive, criticaram a presença do caíque Raoni na recepção, temendo que isso pudesse vender a imagem ao mundo de que aqui só tem índio e onça. Tolice preconceituosa. O cacique Raoni talvez seja o mato-grossense mais conhecido no mundo, depois de Rondon. E que bom se os “estrangeiros” achassem que aqui só tem índio, onça e jacarés (e tuiuiús, araras, antas, tatus, lontras, pacus, seriemas e colhereiros). Cuiabá está prestes a conquistar a vaga de ser subsede da copa exatamente por ser Pantanal, por seu apelo ecológico. Logo, de hoje em diante, somos todos índios e pantaneiros. A quem tem vergonha disso, minha mais sincera comiseração. Nenhuma crítica, no entanto, poderá ofuscar essa grande aliança da sociedade mato-grossense em prol de um objetivo comum. Isso nos dá esperança de que, quando a causa é nobre e bem defendida, o povo a abraça. Como a abraçou o senhor Walter Dias dos Santos, um servidor público sem posses que teve a iniciativa mais relevante nesse episódio: foi sozinho para as praças de Cuiabá, durante mais de 20 horas distribuídas em vários dias, coletar assinaturas dos seus pares, os personagens anônimos da cidade, para entregá-las à missão da FIFA. Já coletou mais de três mil assinaturas, paramentou-se, vestiu sua camisa verde-amarela, fez uma réplica em isopor da Taça Jules Rimet, enfeitou sua motoca e foi à luta. Walter Dias Santos merecerá uma estátua na sede do novo estádio do Verdão, após a copa, como exemplo da determinação do povo cuiabano, mato-grossense, na luta pela atração da copa do mundo para a cidade. * KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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