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ARTIGO
Terça-feira, 03 de Junho de 2014, 20h:24

ROSIVALDO SENNA

O sangue também está doente

Como é do conhecimento de todos, a saúde no Estado está cada vez mais doente. Em algumas unidades essenciais, como o MT-Hemocentro, atuando desde 1994, as dificuldades são enormes no que se refere à continuidade da prestação de serviços à população. Revoltados, os servidores desta unidade estão denunciando o que consideram uma falta de respeito com a população e o sucateamento “orquestrado” pelo governo do Estado à instituição, por meio da Secretaria Estadual de Saúde. O sucateamento ao qual os servidores do MT-Hemocentro se referem está atrelado, principalmente, à aquisição de materiais, tais como luvas, medicamentos e reagentes para exames tanto das bolsas coletadas quanto de pacientes que necessitam de exames pré-transfusionais. Entre outros, a manutenção e aquisição de equipamentos que são imprescindíveis para o funcionamento do que é denominado de “Ciclo do Sangue” (do momento em que o doador é recepcionado até a transfusão no paciente). Por não possuir autonomia financeira, os processos de compras e manutenção, tanto de materiais quanto de equipamentos, são realizados via licitação. Porém, segundo os próprios servidores, ela [a licitação] é morosa, chegando a durar um ano ou mais para ser finalizada. E geralmente é questionada, quando não é alterada, pela CAF (Centro de Abastecimento Farmacêutico), colocando em xeque a capacidade técnica dos servidores da unidade. Para os servidores, tudo parece uma “orquestração” para justificar uma possível e, ao que parece irreversível, privatização do órgão. As denuncias não param por aí: de acordo com informações extraoficiais, um banco de sangue particular da capital teria solicitado ao governo a cifra de 13 milhões para aumentar o estoque em 30% devido ao período da Copa, trabalhando em um período de 2 meses. O orçamento anual hoje do MT-Homocentro estaria em torno de 12 milhões. Atualmente, segundo os servidores, os exames de triagem sorológica estariam sendo realizados por um banco de sangue particular. E que os reagentes para os exames em paciente, inclusive fenotipagem (processo realizado para encontrar sangue para pessoas que receberam muitas transfusões devido a alguma doença hematológica), não estão sendo realizados. E que os equipamentos que não recebem manutenção periódica estariam em situações críticas e alguns encostados por não mais funcionarem. Ah, tem servidor levando papel higiênico de casa. Pode? ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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