NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 25 de Novembro de 2014, 20h:48

GABRIEL NOVIS NEVES

O Rio e seu charme

“O Rio de Janeiro continua lindo...”. Suas belas mulheres, bem mais despojadas do que as de outras partes do Brasil, combinam com a natureza exuberante das praias e das montanhas que tornam o Rio uma das mais belas cidades do mundo. O carioca nos passa a impressão de liberdade. Despojado, alegre, comunicativo e belo. Talvez influenciado pela exuberante natureza que cerca a cidade, o carioca leva o seu dia a dia com leveza, sem dar muita importância aos rígidos protocolos que toda sociedade quer impor. E não estou falando só dos jovens. Grupos de aposentados enchem as praias diariamente em busca de exercícios e, principalmente, de convívio social. O carioca recebe pouco em casa; a praia é a sua grande sala de visitas. Basta sair do casulo para ser envolvido pelo brilho e pela luminosidade que invadem esta cidade. Com uma população extremamente comunicativa e cordial, logo amigos inesperados são feitos, o que faz com que o visitante se sinta imediatamente querido e à vontade. Aliás, este aspecto foi uma das coisas mais observadas pelos turistas que aqui estiveram para a última Copa do Mundo. Triste é apenas ver como uma cidade tão bela foi contaminada pela onda de abandono, empobrecimento e descaso que afetaram algumas outras cidades do mundo. O medo da violência das ruas é visível e, ao anoitecer, os que antes se deleitavam com os passeios noturnos à beira do mar, se recolhem aos seus lares ou vão para bares e restaurantes, lotados nos fins de semana. O desnivelamento social é patente dada à proximidade entre bairros de maior e de menor poder aquisitivo, numa tentativa democrática nem sempre bem aceita por ambos. Em decorrência desse abismo social são comuns os casos de pequenos furtos, mesmo durante o dia. Nos fins de semana escaldantes do alto verão, são comuns os arrastões nas praias, o que afasta a “bela garotada de Ipanema” de sua maior diversão. Apesar de todas essas mazelas o rio continua sendo um grande polo cultural – cinemas, teatros, exposições de arte, shows e concertos. Sob esse aspecto a melhora é incontestável. Como em outras tantas grandes cidades mundiais, o empobrecimento é visível. Apesar da personalidade extrovertida do carioca, se observa um ou outro ar preocupado no semblante das pessoas. Uma cidade que, apesar de deslumbrante, clama por cuidado e atenção. Senti-me, nesses dias em que lá estive, como se estivesse em Los Angeles, circulando apenas de carro, com ruas quase vazias sempre que o sol se esconde. Entretanto, o Rio continua lindo. Imbatível! O carioca, no aguardo de dias melhores, em que todos possam desfrutar tranquilamente de suas belezas, vai levando a vida ao estilo de Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu...”. *GABRIEL NOVIS NEVES é médico e ex-reitor da UFMT

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL