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ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Julho de 2008, 21h:22

CLÁUDIO OLIVEIRA

O que está por vir?

Todos aqueles que fazem jornal diário e muitos daqueles que pensam sobre o jornalismo sabem que o modelo comunicacional está mudando. É claro que as tecnologias têm tudo a ver com isso. Em palestra recente, o professor dr. Marcelo Coutinho expôs elementos que entretecem esta nova teia. Web. Teia em inglês. A internet nasceu militar. O computador, idem. A foto do primeiro computador mostrada por Marcelo ocupava uma sala inteira e tinha 2Kb. Para os menos familiarizados, o moribundo disquete tem 1400Kb e um CD tem 700 mil Kb. Nas palavras do doutor, que também é da Inteligência do Ibope, o que se sabe até agora é muito pouco. Sabe-se que a publicidade, o jornalismo, o marketing e a política com certeza jamais serão os mesmos. Vemos uma transformação na produção da notícia para o desespero dos jornalistas. Na Idade Média, só a Igreja produzia livros. Com a invenção de Gutemberg, grandes conglomerados dividiram este domínio, mas mantiveram a lógica UM para TODOS. Caso se interesse pelo assunto, sugiro que busque no YouTube o vídeo Information Revolution, apresentado na palestra e muito ilustrativo. Para o doutor, “antes de acreditar no governo e nas empresas de comunicação as pessoas acreditam umas nas outras”. Há dois anos este desafio se impôs ao governo de SP. Circulava então a “notícia” (e-mail) de um toque de recolher do PCC, na onda daqueles ataques ocorridos. O efeito virótico da mensagem foi tamanho, que o governador convocou uma coletiva para acalmar a população às 15 horas. Contudo, a Av. Paulista às 21 horas não tinha ninguém! A população não acreditou no governo, preferindo acreditar nos e-mail. O Brasil é o país que mais utiliza a internet em casa (hora/mês) no mundo proporcionalmente. Também é o país que mais visita aos sites de comunidades. Temos 40 milhões de usuários nesta teia digital. Hoje, qualquer um tira uma foto e põe na net. Qualquer um escreve um blog com suas opiniões a respeito de qualquer coisa. O modelo conhecido como Two Steps Flow, que retratava o formador de opinião como aquele que se informava nos meios de comunicação de massa e depois influenciava as pessoas, está em xeque. O que temos hoje são pessoas imersas nos meios de maneira caótica sendo eleitas pelos seus pares em chats virtuais e comunidades digitais como pessoas que sabem mais sobre certo assunto. Hoje, quem mais fala talvez não seja quem mais sabe do assunto. Provavelmente, quem mais recebe perguntas ou aquele que têm os posts mais comentados nas comunidades é o novo líder. Hoje, TODOS produzem para TODOS. Quem sabe o que será no futuro? O seu filho pode trabalhar em uma empresa de games que fatura 130 milhões de dólares por mês em assinatura e você achava que ele perdia tempo jogando... CLÁUDIO OLIVEIRA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16962




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