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ARTIGO
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011, 19h:03

RENATO DE PAIVA PEREIRA

O pitoresco e o ridículo

O interesse político partidário quase sempre, ou pelo menos a maioria das vezes, sobrepõe-se ao interesse do cidadão comum. Isto é péssimo porque nos faz perder excelentes oportunidades de melhorar a qualidade dos homens públicos que governam a nação. De perdas em perdas vamos atrasando o processo civilizador o que atrapalha a maioria, em benefício de alguns poucos. Os partidos políticos no Brasil, todos sabem, são simples aglomerados de interesses, ajuntamento de ambições e as diferenças entre eles pura perfumaria, posto que na essência são quase iguais. Também haja ideologia para abastecer a todos, pois são quase 30. Vez ou outra surge alguém que parece ser um farolzinho solitário no meio da escuridão geral. Aí os otimistas, talvez ingênuos, alimentam alguma esperança de iniciar, ainda que discretamente uma mudança no comportamento dos políticos. Falo do novo senador Pedro Taques, que vem, com tão pouco tempo, conquistando o respeito dos colegas e da grande imprensa nacional. Anteontem mesmo (16/11/2011) ele estava, ao vivo, no principal jornal televisivo do país, defendendo o afastamento do Ministro do Trabalho até que se apurem as denúncias de malfeitos a ele atribuídos, que crescem a cada dia. O detalhe é que o tal Ministro é do mesmo partido do Senador. É incomum um político ir contra seu partido defendendo a legalidade. Lembro ainda, vejam como sou um dos tais ingênuos, da excelente ideia do atual Ministro do Turismo Aldo Rebelo de enquadrar as ONGs, cuja maioria, a meu ver são gafanhotos vorazes que devoram o erário. Também louvo a iniciativa do deputado José Riva em propor a diminuição dos cargos comissionados em todos os setores da administração pública, economizando assim para o necessário investimento do Estado. Ideias como essas precisam receber o apoio imediato, independentemente da origem partidária de quem as propôs. Mas, ao contrário, ficamos aí com picuinhas, tuta e meias (tutaméias) como as que vejo hoje em alguns jornais e mídia eletrônica aqui de Cuiabá. Pois não é que um movimento aqui da capital ocupa espaço que o jornalismo lhe concede para “denunciar” que o senador Pedro Taques gastou R$ 4,70, isso mesmo, quatro reais e setenta centavos da verba indenizatória em uma padaria aqui da cidade. Vejo ainda a notícia que a senadora Marta Suplicy “deu um pito” no senador Taques. Esta é pura má-fé, mesmo. Todos sabem que os debates no Senado são acalorados e que as reprimendas e contestações intensas e frequentes. “Pito” é o que a presidenta passa nos ministros faltosos e relapsos, é também o que o pai dá no filho desobediente. Entre colegas, as relações são de igualdade. Pois é, enquanto a grande imprensa nacional (jornais, televisão, revistas) louva a atuação de nosso senador, alguns meios de comunicação locais tentam denegri-lo, e, na falta de fatos, divulgam notícias, que com boa vontade poderíamos chamar de pitorescas, mas com certeza deveremos classificar de ridículas. *RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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