ARTIGO
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012, 09h:42
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STEFANIE MEDEIROS
O mundo de Sofia
É sempre complicado escolher um tema sobre o qual emitir alguma opinião. Pensei nas desapropriações, no Carumbé, em strippers e mais um pouco de tudo, até que finalmente me lembrei de O mundo de Sofia. Oras, por que escolher apenas um tema, quando falando de um único livro pode-se abordar todos eles? A história é a princípio simples: Uma garota, chamada Sofia, começa a receber cartas filosóficas de um estranho. No entanto, essas cartas são sempre endereçadas a ela através de uma outra menina, chamada Hilde. Com o desenrolar da história, descobrimos que tanto as cartas quanto a própria Sofia são elementos de um livro que o pai de Hilde escreveu pra ela como presente de aniversário. Uma das primeiras coisas explicadas no livro é o significado do nome Sofia, que é amor à sabedoria. E o livro se trata exatamente disso. Nos propõe, de várias formas, reflexões sobre qual a essência do ser humano, de onde ele veio, ou até mesmo como surgiu o universo. Nenhuma das questões é desvendada. Um infelizmente caberia aqui, mas uma das coisas que o livro muda é o conceito de o que é ou não um acontecimento feliz. Por exemplo: O importante não é responder todas as perguntas, mas sempre ter curiosidade suficiente para continuar questionando. Não vou mentir e dizer que é uma leitura fácil e rápida. Eu não consegui ler tudo na primeira tentativa, quando estava no ensino fundamental. Nem na segunda tentativa, com 16 anos, já no ensino médio. Foi só depois de completar 18 e estar na faculdade que consegui atravessar o livro, da primeira à última página. A cada tentativa eu ia mais longe, mas sempre ficava frustrada por não ir até o final. Lembro-me claramente quando levei esse livro para a aula de inglês, e o meu desafeto, a aluna mais relapsa, perguntou se eu estava gostando, porque ela já tinha lido o livro todo há um ano. Pode não ser uma leitura fácil, mas é com certeza uma que vale a pena. Expondo a vida e o trabalho de filósofos como Sócrates, Platão, Spinoza, Locke, Hegel, Marx, Darwin, Freud e muitos outros, assim como várias correntes filosóficas, o livro exige que a cada capítulo uma pausa seja feita para momentos de reflexão. De preferência olhando para o teto, no meio da noite, imaginando se alguém de outra galáxia distante também está fazendo a mesma coisa. Ou talvez isso tenha sido um hábito que criei lendo O mundo de Sofia. STEFANIE MEDEIROS é repórter