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ARTIGO
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012, 22h:26

CAROLINE RODRIGUES

O importante é ter saúde

Sempre ouvi minha avó falar: “o importante é ter saúde”. A partir da afirmação dela, consigo fazer uma análise dos gestores municipais e estaduais. Eles deixaram de lado o que era importante e foram “empurrando com a barriga” o setor que mais tem valor para a população. Desrespeitando o conselho dos anciões, acabaram com as condições de trabalho nas policlínicas, hospitais e postos de saúde e conseguiram afastar os servidores das unidades públicas. Nem mesmo os concursados, que atraídos pela estabilidade do emprego fazem a prova, querem assumir os cargos públicos que estão disponíveis. Então, a cena que deveria ser exceção, passa a ser regra. Todos os dias centenas de mães vão em busca de atendimento aos filhos nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e descobrem que não tem profissional de plantão. O resultado é que a palavra mais ouvida pelos usuários é “falta”. Isso acontece porque faltam medicamentos, insumos, salários, gasolina, produtos de limpeza, enfermeiros e em alguns prédios, até mesmo abrigo, tendo em vista que o número de leitos diminuiu nos últimos anos. Os gestores desrespeitam os doentes e também a inteligência dos que estão saudáveis. Em nota oficial ou por meio de entrevista, a resposta sempre é não há repasses, não há dinheiro ou não tem dotação orçamentária. Resumindo as desculpas, o cidadão pode entender: devo e não vou pagar. Simples assim. E como uma bola de neve, descendo uma montanha, a gravidade da situação vai sendo ampliada. A caneta dos gestores passam a ter o peso de um caminhão e o poder de destruição de uma bomba atômica. Pode parecer exagero, mas não é. Nunca teremos um número exato de pessoas que morreram em Mato Grosso pela falta de assistência. Nem mesmo a Justiça consegue garantir o atendimento. Os oficiais ficam rodando de um lado para outro, procurando o gestor para intimá-lo. Será que há esperança? Eu acredito que sim porque ainda me importo com as pessoas. Quero pedir aos que lutam pela Saúde Pública que não desanimem. Continuem protestando e fazendo encaminhamentos, mesmo que eles sejam elaborados de forma quase que solitária. Espero que os mais velhos voltem a ser ouvidos e a saúde volte a ser a coisa mais importante. CAROLINE RODRIGUES é editora de Cidades do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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